O que é Relativismo Moral? Explicação e Exemplo [Filosofia]

O que é relativismo moral? É uma filosofia ou a negação dela?

O que é relativismo moral

“Cuando soy débil os reclamo la libertad en nombre de vuestros principios; cuando soy fuerte os la niego en nombre de los míos”. A frase é de Montalembert, polemista francês, e resume o que é o relativismo moral. 

Em situação de fraqueza, pede-se liberdade, apoiada nos princípios de quem pode concedê-la. No entanto, uma vez alcançado o poder, é possível negar a liberdade por causa dos próprios princípios. 

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O que você vai aprender neste artigo?

  1. O que é o relativismo moral?
  2. O fim do bem, do belo e do verdadeiro;
  3. A negação da realidade;
  4. Quais são os problemas gerados pelo relativismo moral?
  5. Exemplos atuais de relativismo moral;
  6. O problema do relativismo na educação moral;
  7. Qual é a origem do relativismo moral?
  8. Em que consiste a ditadura do relativismo?
  9. Qual é o papel da consciência frente ao relativismo moral?
  10. A importância do estilo de vida intelectual na luta contra o relativismo;
  11. É possível debater com um relativista?
  12. A contradição fundamental do relativismo moral.

O que é o relativismo moral?

Pensiero debole, em italiano, é pensamento fraco. Esta é a categoria do pensamento que se opõe ao que é forte, representado pela tradição filosófica clássica que reconhece o absoluto, busca o verdadeiro e distingue o falso. 

O relativismo moral é a ausência de definições sobre valores objetivos e universais, é a negação de que existe uma verdade para todos. O certo e o errado tornam-se conceitos vagos que variam de pessoa para pessoa, de acordo com sua cultura e criação. Tudo se torna uma questão de ponto de vista e circunstância.

Ninguém está errado. A verdade depende do que cada um considera verdadeiro. O critério se torna subjetivo.

O que é verdade para um, pode não ser verdade para o outro. As pessoas fazem o que sentem que é certo. Assim, o relativismo moral não exige o mesmo padrão de comportamento das pessoas, mesmo que estejam em situações semelhantes.

Uma excelente explicação pode ser vista no vídeo do professor Guilherme Freire:

O fim do bem, do belo e do verdadeiro

A tendência contemporânea vive o relativismo moral. As noções do que é bom, verdadeiro e belo foram desconstruídas. 

Ser um relativista moral é pensar que os valores morais dependem do lugar, do tempo, da cultura e das sensibilidades individuais. Por outro lado, não existem valores morais e éticos absolutos, fundamentados no universal.

Os padrões comuns são negados.

Naturalmente, as pessoas têm divergências, o que não significa que não exista uma realidade objetiva. Sem uma experiência comum da realidade, não é possível conversar com o outro.

O relativismo moral é um obstáculo ao diálogo entre os divergentes?

Uma das consequências do relativismo moral é a de não trazer mais o diálogo. A verdadeira tendência que causa é o isolamento das pessoas, além de poder causar mais agressividade. 

Quando se tenta mostrar que a percepção de uma pessoa está dissociada da realidade, ela se sente ofendida. Ela se sentirá forçada a um padrão.

Contudo, há espaço para a multiplicidade, mesmo dentro da ordem. Coisas distintas e completamente diferentes podem ser belas, o que não torna tudo belo. 

A partir da experiência da realidade, podemos chegar a certezas. É possível ter conhecimento sobre acontecimentos objetivos, que os relativistas negam. O relativismo põe um fim ao juízo de objetividade sobre as coisas.

Alguns exemplos de relativismo moral são atuais e podem esclarecer melhor esta explicação. 

A negação da realidade

Basta usar a razão para constatar que comer em excesso é ruim para a saúde. É evidente que o exagero é perigoso e todos podem senti-lo em si mesmos. Há excesso e a razão evidencia que é perigoso. Da mesma forma, não há exceção à regra de que a soma dos ângulos internos de um triângulo é de 180°. 

Diante dos fatos da realidade, é possível investigá-los e chegar a conclusões objetivas. Ninguém gostaria de um médico relativista no tratamento de uma doença, por exemplo.

Mesmo em relação à diversidade de fatos repletos de valores diferentes, pode-se aferir se a coisa é verdadeira, se está inserida dentro de uma estrutura lógica. Ela segue o princípio de identidade e de não-contradição?

É possível aferir hábitos que melhoram ou pioram a vida. Se não fosse possível, a medicina, a nutrição, a psicologia e a fisioterapia, por exemplo, não teriam razão de existir. Afinal de contas, a saúde sendo relativa não admite um tratamento objetivo. Nem mesmo haverá uma melhora objetiva, pois as noções de melhor ou pior são abolidas no relativismo moral.

O relativismo é a negação de que a razão pode conhecer a realidade e afirmar algo com segurança. 

O que se verifica é que a defesa deste pensamento está mais presente em questões menos relacionadas às coisas práticas da vida.

O debate típico sobre a música

Comparando músicas, é possível aferir obras que foram mais trabalhadas do que outras e que permitem uma experiência humana mais profunda.

É completamente possível divergir sobre a qualidade de diferentes composições. Incoerente é afirmar que todos os tipos de música são bons. Assim, a razão foi excluída do debate.

A diferença está entre tolerar uma opinião diferente e aceitar o erro de forma irrestrita, como se tivesse o mesmo status que a verdade.  

O relativismo causa o indiferentismo nas pessoas, negando que haja uma verdade a ser descoberta. 

Esta posição é contrária ao típico espírito de investigador científico, que busca a verdade, a certeza. Muitos cientistas se tornaram relativistas, distorcendo suas pesquisas em favor da conclusão a que queriam chegar.

Para aqueles que adotam esta posição, o que é conveniente tem prioridade sobre o que é verdadeiro.

Ética da conveniência

Estudando o que é o relativismo moral, rapidamente se percebe o tema da ética da conveniência. O pensamento é articulado não em tudo o que é verdadeiro e seguro, mas em conformidade com os fins desejados.

Isto está perfeitamente alinhado com a máxima de Lênin:

“Chame-os do que você é, acuse-os do que você faz”.

Gilbert Harman, um dos principais defensores do relativismo moral, comparou a moralidade aos fenômenos físicos. Como determinar o que está em repouso e o que está em movimento? Depende, isto é relativo ao ponto de vista.

Ele usou esta analogia para explicar como pensa a moral.

Segundo ele:

“Algo só pode ser certo ou bom ou justo apenas em relação a uma estrutura moral e errado ou mau ou injusto em relação a outra. Nada é simplesmente certo ou bom ou justo ou virtuoso”.

Para este autor, e tantos outros que concordam com ele, a explicação relativista é a única que pode oferecer uma explicação mais plausível para uma realidade moral tão complexa.

Pensam que, como não podem conhecer algo universal e seguro, resta-lhes medir todas as coisas de acordo com o que for mais conveniente, mais agradável para si mesmos. Mas não sem problemas.

Quais são os problemas gerados pelo relativismo moral?

Ao aceitar o relativismo moral, esta é a realidade que se apresenta:

  • Não se busca o bem para vida, porque não há um bem. Deixa-se de buscar os hábitos que elevam a alma, que fazem bem ao ser humano;
  • Não se busca a verdade para o aprendizado, não se busca o que fundamenta as coisas, distintivo do homem e dos animais, porque nada é verdade, cada um acredita no que quer;
  • Não se busca a beleza para a contemplação, porque está é uma imposição. No final, quem pensa assim acaba se rodeando do que é feio. 

O relativismo traz a perda do diálogo, justamente porque os valores comuns são perdidos.

A razão é diluída no relativismo. É o reducionismo da inteligência, porque afirma que o ser humano não pode conhecer nada com certeza. Afinal, nada além do campo científico positivo.

O problema de usar a ciência como critério definitivo é que não existe uma ciência única, unânime e incontestável. Nem mesmo se pode dizer que alguém, por ser um cientista, é idôneo, imparcial e justo.

Não é uma tarefa difícil encontrar pesquisas manipuladas. E eis que, em um debate, alguém diz um argumento “científico” e isto deve ser imediatamente aceito, restando apenas revoltar-se contra quem discordar.

Em última instância, o pensamento cristão tem sido hostilizado, porque para os relativistas este é um dos principais grupos que representam a instituição de critérios objetivos de moralidade.

Facilmente, em um debate, surgem os adjetivos “nazista” e “fascista” para demonizar o oponente, mesmo que estas palavras não representem nada do que ele está defendendo.

Exemplos atuais de relativismo moral

Exemplo de relativismo e intolerância

Um exemplo impactante envolve os cristãos em cenas da mídia contemporânea. Quando Neymar usou uma faixa na cabeça com a inscrição “100% Jesus”, na Champions League, este gesto foi considerado ofensivo. Feriu os relativistas que consideram a religião como algo fadado ao ambiente privado.

A mera menção religiosa que seja pública é considerada uma imposição de um valor imutável. 

Nas Olimpíadas de 2012, as meninas do vôlei brasileiro agradeceram a Deus pela vitória, rezando um Pai-Nosso. Isto foi considerado uma ofensa ao Estado laico. Entretanto, no encerramento da mesma competição, a cantora Marisa Monte vestiu-se de iemanjá e não foi acusada de nada.

Por que estes são exemplos?

Porque os relativistas estão posicionando-se contra a religião e também a seu favor. Contra algumas e a favor de outras. Eles sequer percebem a incoerência da atitude, não raciocinaram sobre elas.

Apenas são guiados pela vontade, sentimento e conveniência. 

Na sociedade brasileira atual, a iconografia religiosa, que faz parte da história do país e da vida do povo em sua maioria, é considerada ofensiva e deveria – dizem – ser relegada apenas ao ambiente privado.

Quando, no entanto, imagens sacras são vilipendiadas na parada gay, não há problema algum. Trata-se apenas de uma manifestação e todos devem ser livres para fazer isso.

É assim que funciona o relativismo, não há parâmetro de coerência. O que hoje é verdade, amanhã pode não ser. O que hoje é bom, amanhã pode ser ruim. O que foi defendido, pode ser atacado ainda no mesmo dia.

E o relativismo moral não se reduz apenas a isso. A educação também é afetada.

O problema do relativismo na educação moral

Ao estudar a história do Brasil é comum aprender que os jesuítas oprimiram os índios impondo uma cultura europeia. 

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Para os relativistas, a moralidade ensinada aos índios foi prejudicial e eles não podiam ser civilizados. Aliás, para eles, não se pode sequer falar de civilização; afinal, civilização sob que parâmetro?

Nada fala-se da cultura canibalesca em que os índios viviam, ou sobre as constantes batalhas tribais. Os relativistas negam que os índios perceberam um jeito melhor de viver e que se aliaram aos portugueses. 

Por outro lado, Paulo Freire é aclamado. Ao estabelecer um sistema de ensino que não busca a verdade, mas o debate crítico, as pessoas se desacostumaram a buscar a verdade.

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Se formadas em direito, por exemplo, o critério das leis passa a ser a vontade e não o estudo do que é bom para todo o gênero humano. Mas a pergunta que fica é: a vontade de quem? 

O relativismo moral penetra na legislação, principalmente em matéria de bioética e de família. Elas chegam lá através do relativismo e, quando se instalam, deixam de ser relativistas, pois já se consideram inquestionáveis.

E é isto o que retoma a frase do início deste artigo: 

“Cuando soy débil os reclamo la libertad en nombre de vuestros principios; cuando soy fuerte os la niego en nombre de los míos”.

Quando este tipo de relativista se instala no poder, surge um critério definitivo do que é bom e do que é mau com o qual ele mede os outros. 

A própria atividade filosófica, que por sua própria natureza busca a verdade, é negada no relativismo. 

Qual é a origem do relativismo moral?

Na Grécia, o sofista Protágoras já dizia em sua filosofia que “o homem é a medida de todas as coisas”. Sendo o homem o ponto de referência, as coisas se tornaram relativas à sua vontade.

Mas não havia um sistema sobre o que é o relativismo moral estruturado como o que vemos hoje.

A redução da inteligência humana à aceitação de coisas relativas e não-permanentes teve origem no século XIV. Naquela época, o pensamento nominalista foi propagado e ensinava que a razão humana não podia conhecer a verdade das coisas.

Antes desta tendência, os homens confiavam no senso comum para conhecer a realidade. Acreditavam que a razão podia conhecer a essência das coisas.

O nominalismo aumentou o ceticismo, levando as pessoas a duvidar da própria verdade.

O relativismo nega a verdade e fomenta o ceticismo

Hoje em dia, a realidade que qualquer um poderia notar apenas usando os sentidos e as abstrações mais imediatas é negada diante da opinião de especialistas, políticos, jornalistas, youtubers e influenciadores em geral. 

Não acreditando na verdade, as pessoas aderem à moda e não veem sequer um problema em se comportar sem o mínimo de humanidade. 

As proibições relativistas

Não se pode dizer que é melhor ser magro do que gordo, ou que uma mulher não é um homem, ou que algo é melhor do que outro, que a grama é verde ou que o céu é azul.

Os exemplos mais drásticos chegam às afirmações de que um vaso sanitário é uma obra de arte e que homens engravidam. Este é o resultado da luta do relativismo moral contra a verdade. 

Aqueles que discordarem são, na melhor das hipóteses, intolerantes, misóginos e homofóbicos. 

Neste caso, opor-se ao relativismo é não seguir a onda da moda e da última novidade sem refletir e voltar à busca da verdade com muito afinco e estudo.

Isto não acontece sem complicações, pois é possível notar características autoritárias estudando o que é o relativismo moral.

Em que consiste a ditadura do relativismo?

A ditadura do relativismo

Nada é reconhecido como definitivo e a última medida não é a verdade objetiva, mas a própria vontade.

A ditadura do relativismo converte qualquer opinião, fundamentada ou não, verdadeira ou falsa, em algo digno de ser vivido e acreditado. No final das contas, serve a um projeto de governo, porque elimina normas comuns e naturais. 

A consequência é que o único critério para determinar o que é bom e o que é ruim passa a ser o uso da força. Pode ser a força dos votos, da propaganda ou de outras armas de coerção.

Relativistas usam o relativismo para se elegerem. Eleitos, atacam o relativismo para evitar a perda do poder. Com a mesma intensidade, propagam as próprias ideias como se fossem inquestionáveis.

Atualmente, verdades óbvias são negadas por uma geração apegada a chavões ideológicos, propagandas midiáticas, opiniões mais agradáveis, inclusivas e científicas.

Mesmo sem saber o que realmente significa ser científico, as ideias religiosas, por exemplo, são abolidas da sociedade. São tratadas como indignas de debate ou de qualquer consideração séria. 

A defesa sentimental das ideias esconde a insegurança e a falta de referências à falta de um esforço racional genuíno. 

A sociedade acaba sendo manipulada sem saber contra quem ou contra o que luta. Portanto, algumas contradições precisam ser esclarecidas.

Os relativistas morais podem acusar os outros de má conduta?

Em última análise, não existe uma má conduta. O que é um agir ruim para alguém pode não ser para o outro. Quando a moralidade se torna fluida e subjetiva, abandona-se a possibilidade de fazer juízos morais. 

Um relativista não pode, em última instância, se opor a nada. Ele aboliu a verdade e, em tese, não deveria opor-se ao roubo ou ao assassinato, por exemplo. Afinal de contas, o certo e o errado são questões de escolha. 

Quando se está certo de que algo é certo ou errado, não se está sendo relativista. 

Os relativistas podem reclamar sobre o problema do mal?

É incoerente defender que o verdadeiro mal existe. Não há um padrão moral, então como reconhecer o mal?

Esta deveria ser uma conclusão transparente e simples. Na prática, os relativistas consideram os discursos dos outros como relativos, não os seus próprios. O que é mal está no outro e não em si mesmos.

Somente o que o outro defende é relativo, o que eles defendem é sólido e deve ser aceito.

Os relativistas podem acusar os outros de intolerantes?

Ora, se alguém discorda é porque possui outra verdade na qual acredita e não aceita todas as outras que sejam diferentes. Por que um relativista se incomodaria com isso? É o relativismo moral aplicado, cada um com o seu.

Porém, quando eles se veem afrontados, acusam os outros de serem intolerantes, mesmo que eles próprios não tenham o hábito de ser tolerantes.

Nestas questões é possível perceber incoerências que poderiam ser resolvidas por meio do trabalho da consciência. 

Qual é o papel da consciência frente ao relativismo moral?

A moralidade não pode ser reduzida à uma lista de condutas virtuosas ou viciosas, boas ou más, louváveis ou condenáveis. Não é entregue pronta a um cidadão para ser obedecida com automatismo. 

É preciso desenvolver a consciência e ter discernimento pessoal. Cada um, em meio à complexidade da vida, gradativamente alcança a moralidade enquanto busca a perfeição.

Ter consciência moral é conhecer a regra abstrata e fazer a ponte entre a unidade desta regra e a vida concreta, em suas inumeráveis situações nunca antes vividas. Cada pessoa vive uma confluência de contradições e ambiguidades entre seus deveres, intenções, desejos, meios e resultados.

Sem uma consciência treinada na busca da perfeição e da verdade, não é possível viver apenas obedecendo a uma lista de regras. Mesmo a história bíblica está repleta de conflitos angustiantes.

O caminho do bem é uma linha reta, impassível de dúvida, somente do ângulo divino, não do humano. Viver na história é passar por constantes tentativas e erros. Sem a experiência, a névoa das aparências não se dissipa.

A consciência moral não é um objeto que se possui. Adquire-se através da busca da unidade em meio ao caos do dia a dia, resolvendo os conflitos que se apresentam a cada um de uma maneira única.

Um exemplo pode ilustrar bem esta realidade sobre o que é o relativismo moral.

O desenho do edifício

Os códigos sociais de conduta não solucionam o problema moral apenas por existirem e serem conhecidos. São para a consciência de cada um o que o desenho do edifício é para o construtor. Sabe-se como deve ser a obra final, não quais são as etapas para alcançá-la, já que não são únicas. 

O problema do relativismo moral é que, precisamente, ele nega que exista uma obra final.

Relativistas não possuem um código de conduta para guiá-los. Seguem valores contraditórios e a forma final é irreconhecível, uma vez que não há nem certo nem errado. A partir disto, derivam problemas insolúveis.

Portanto, não vale a pena lutar por um princípio moral específico diante de um relativista. Ele não está apegado a nenhum valor, nem a um projeto de moralidade final. 

O relativismo moral conduz à própria destruição da consciência moral.

Antes de iniciar uma luta entre o bem e o mal, é preciso certificar-se de que não se está contribuindo para isso. Ao debater contra temas específicos, a armadilha pode ser fomentar a confusão, que será descartada depois pelo relativista, e outro debate, sobre outro tema, terá início.

Primeiramente é preciso ser contrário à confusão que eles geram, justamente por causa da ausência de um parâmetro. Sem um estilo de vida intelectual, isto não é possível.

A importância do estilo de vida intelectual na luta contra o relativismo

Para compreender realmente o que é o relativismo moral, é preciso perceber como a consciência moral decaiu. No Brasil, por exemplo, a atividade intelectual se deteriorou. O jornalismo, a comunicação acadêmica e a literatura foram as portas para esta decadência.

O relativismo introduziu na cultura a vontade de simular bons sentimentos e a cultura de demonizar o inimigo. Como consequência, a reflexão séria sobre as ideias encontrou seu fim.

Quando uma pessoa não se esforça para formar sua opinião, não sabe como raciocinar até chegar à conclusão que defende. Por isso, se outro diz o contrário, imediatamente é rejeitado e estereotipado. Não há reflexão sobre o que se ouviu, nem autorreflexão sobre o que se defende. 

O relativismo moral afastou as pessoas da vida intelectual e as aproximou das impressões do momento, de modo que não poucos leram o que escreveram no passado sem perceberem que no presente estão dizendo o contrário. 

As opiniões relativistas, em geral, são formadas emocionalmente e não através do estudo dos fatos. 

Quando alguém cuja opinião foi formada desta forma, debate com outro que estudou, encontra explicações racionais para a defesa de um ponto. Para o relativista, esta explicação pode parecer apenas um pretexto inventado para vencer o debate.

Desta forma, o relativista moral ouve o caminho percorrido em um estudo, que levou à uma sólida conclusão, e se fecha porque pensa estar diante de alguém que quer vencê-lo e humilhá-lo.

Neste caso, como debater?

É possível debater com um relativista?

Como debater com um relativista

O relativismo cumpre um papel: diminuir a resistência às ideias não-relativistas, que são, ao contrário, bem absolutas e intransigentes.

Fomentar o relativismo nos princípios e valores não leva necessariamente as pessoas a endossar o relativismo doutrinal, mas as leva a praticar doses de relativismo em discussões. 

Com a frequência deste modelo, a tendência dos debatedores não será a de vencer o debate pela verdade. A maior preocupação será a de se mostrar tolerante. 

O problema é que o relativista que consegue a tolerância de seu adversário, em regra, não é ele próprio tolerante. Exige abertura para suas ideias, sem estar igualmente aberto para as ideias dos outros. 

Há melhores alternativas do que discutir o relativismo. O Professor Olavo de Carvalho recomenda exigir do relativista as provas de que ele adere à doutrina relativista com sinceridade e de que concede a ambas as partes os atenuantes relativistas. 

Esta é uma forma de se defender contra os relativistas cheios de ideias absolutas e intolerantes, imunizados contra o próprio ideal fluído.

Por exemplo, gayzistas, feministas e abortistas não estão abertos ao relativismo que conteste as ideias que defendem. Em uma sociedade livre na qual eles tiveram voz, não querem mais que a sociedade se pronuncie contra eles. 

Eles precisaram do relativismo para se estabelecerem. Tendo feito isso, lutam para que seja um crime relativizar a autoridade de suas exigências.

É difícil encontrar um relativista que continue assim, mesmo quando já não é mais conveniente para sua política. É mais difícil encontrar um que conceda ao adversário a mesma salvaguarda que ele possui.

O relativismo visto atualmente está mais próximo de uma armadilha do que um posicionamento honesto. 

Muitos nem mesmo acreditam no que defendem, usando o relativismo como ferramenta provisória para abrir o caminho para um projeto político, que pode até ser oposto ao que defendem.

Neste caso, todo debate será infrutífero, já que a teoria defendida pelo relativista será apenas uma camuflagem. Não se debate com relativistas. Ao contrário, é preciso revelar as propostas ocultas em seus discursos.

A contradição fundamental do relativismo moral

A contradição evidente e intrínseca ao relativismo moral é que as regras propostas não se aplicam à própria teoria relativista.

O relativismo moral não é questionável, admite-se a si mesmo como absoluto. Para exemplificar, as frases típicas utilizadas por seus adeptos são: 

“A verdade é incerta”. 

E esta afirmação, é incerta?

“Todas as generalizações são falsas”.

Será esta generalização também falsa?

“Tudo é relativo”. 

Tudo ser relativo também é relativo?

“Você não pode ser dogmático”.

A pessoa que diz esta frase pode ser dogmática?

“Não imponha a sua verdade a ninguém”.

Quem disse isto pode fazer esta imposição?

A conclusão é que tudo vale, exceto questionar se tudo vale.

Se você gostou deste artigo que explica o que é o relativismo moral, comente e não deixe de compartilhar. Para obter mais conteúdo, acompanhe a Brasil Paralelo em todos os seus canais.

2 comentários

  1. Mateus

    Esse artigo foi de extrema importância e de grande significado em minha vida.
    Basicamente é o trabalho de toda a minha longa jornada até hoje.
    Eu não esperava tal resumo e atitude de quem quer que fosse, pois é um assunto que já está se tornando tão nebuloso e exaustivo, a ponto dos que entendem e possuem conhecimento sobre, desistirem e abandonarem a luta.
    Mas esse artigo é um fôlego de luta a todos aqueles que continuam firmes na guerra cultural. É muito cansativo te tar explicar a alguém esse passo a passo organizado por nós mesmos, mas agora, eu basicamente só irei compartilhar o link deste artigo e pedir aos amigos que o leiam cuidadosamente e que por favor não tomem por subestimar o conteúdo, apenas que de atentem às minúcias.
    Tenho certeza que terão suas vidas transformadas após essa leitura.

    Obrigado a todos do Brasil paralelo.
    Deus abençoe a todos vocês.

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