A Trégua de Natal na I Guerra e o Surpreendente Natal de 1914

Trégua de Natal na Primeira Guerra Mundial – Artilharias cantaram em vez de atirar

O que foi a Trégua de Natal na Primeira Guerra Mundial

Naquele ano aconteceu algo que os comandantes britânicos ou alemães não esperavam. Da lama e do frio das trincheiras, os soldados viram um brilho que não era o da pólvora acesa. A Trégua de Natal (Christmas truce ou Weihnachtsfrieden) causou comoção, polêmicas e tornou-se um símbolo de paz universal.

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O que você vai aprender neste artigo?

  1. Qual foi o contexto da Trégua de Natal?
  2. O que foi a Trégua de Natal? [Resumo];
  3. As súplicas de paz em meio à guerra;
  4. Como foi o Natal de 1914?
  5. O futebol na Trégua de Natal realmente aconteceu?
  6. Ocorreram outras tréguas?
  7. Os jornais noticiam ao mundo as tréguas espontâneas dos inimigos;
  8. O que a Trégua de Natal tem a ver com a criação de albergues?

Qual foi o contexto da Trégua de Natal?

Logo nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial, a França foi atacada pelos alemães em território belga. No início de setembro de 1914, os franceses repeliram as tropas alemãs que estavam em Paris com a ajuda dos britânicos. Era a Batalha de Marne.

Para se refugiarem, os alemães procuraram abrigo no Vale do Aisne. As forças aliadas não conseguiram fazê-los recuar mais. Isto os levou a um impasse. Os lados em guerra não cediam terreno e começavam a construir trincheiras. 

Quais foram as consequências das trincheiras e por que elas influenciaram a Trégua de Natal?

Uma das principais características da Primeira Guerra Mundial foram as trincheiras. Este estilo de batalha durou até 1918. Havia muitos impasses, pouca mobilidade e muito poder de fogo.

Os soldados cavavam as trincheiras para se protegerem do inimigo em campo aberto. Devido a este modelo, havia muito atrito sem avanços decisivos. No entanto, os exércitos ficavam próximos.

A distância média entre as trincheiras era de 100m, entre algumas era ainda menor. Era possível ver o inimigo e ouvi-lo. O espaço entre elas era chamado Terra de Ninguém.

Ao Norte, à direita do exército alemão, a linha de frente não estava definida. Ambos os lados enxergaram a vantagem da região para flanquear o inimigo e avançar. Por isso, tentaram tomar posse da região.

Enfrentavam-se repetidas vezes na corrida em direção ao mar, enquanto tentavam avançar à frente do inimigo. Após vários meses, as forças britânicas foram retiradas do Aisne e enviadas a Flandres.

O resultado foi que em novembro de 1914 uma linha de batalha contínua havia se formado. Ela se estendia do Mar do Norte até as fronteiras da Suíça. Sob ocupação suíça, os exércitos estavam preparados, mas em posição defensiva.  

Acrescentava-se a isto o enorme sofrimento causado pelas trincheiras. Um forte inverno havia chegado e os soldados foram relegados ao frio e à lama, às vezes até a altura da cintura. Esperava-se a primavera chegar para atacar.

A proximidade entre inimigos, o sofrimento e um fator psicológico contribuíram para a Trégua de Natal.

A duração da Primeira Guerra não foi a esperada

Os jovens soldados alemães, franceses e britânicos pensavam que a Primeira Guerra Mundial terminaria antes do Natal, e que retornariam para casa. A ideia era que a guerra seria rápida. 

Poucos meses de guerra e centenas de milhares de soldados já havia morrido. As trincheiras fortaleciam o impasse sangrento. 

Em 4 anos de batalha, entre 16 e 20 milhões foram mortos. 

Como não sabiam disso no início, nem esperavam que fosse assim, havia um clima de entusiasmo entre as tropas, aguardando o fim da luta em dezembro. 

O que foi a Trégua de Natal? [Resumo]

Soldados da primeira Guerra confraternizaram nas trincheiras no Natal de 1914

Em 1914, com a Primeira Guerra Mundial acontecendo, soldados alemães e britânicos deram-se as mãos. Ao longo da Frente Ocidental, no nordeste da França, eles suspenderam informalmente a guerra no Natal. Trocaram saudações e cantaram de suas trincheiras. Neste momento histórico, os inimigos trocaram presentes.

Na véspera do Natal e no próprio 25 de dezembro, os soldados deixaram as trincheiras para se aventurarem na Terra de Ninguém. Esta era a área onde eles ficariam desprotegidos e poderiam facilmente ser alvejados.

Não houve tiroteio, mas troca de presentes, alimentos e canções natalinas. O ponto máximo do encontro entre ingleses, alemães e franceses foram as partidas de futebol.

A trégua foi e ainda é vista como um símbolo de paz universal. Mas a humanidade que alguns grupos demonstraram entre si não foi geral. Em algumas frentes, as lutas foram mantidas mesmo no Natal. Em outras, apenas deram trégua para recolher os corpos.

Em 1915, algumas unidades queriam a trégua novamente. Os comandantes, porém, proibiram estas confraternizações e o cessar-fogo não foi divulgado como em 1914. Como exemplo, o Comandante Sir lain Colquhnoun da Guarda Escocesa foi levado à corte marcial por permitir uma trégua com a finalidade de enterrar os mortos.

Não apenas autoridades de alta patente se revoltavam ao saber das tréguas. Naquela época, Hitler era apenas um cabo. Ele desabafou a respeito, dizendo: 

“Essas coisas não deviam acontecer em tempo de guerra. Os alemães perderam todo o senso de honra?”

O evento não tornou a repetir-se com a mesma intensidade. Em 1916, as sangrentas batalhas de Somme e Verdun já haviam começado e o gás venenoso já estava sendo usado. Os soldados não enxergavam seus inimigos como humanos, e a Trégua de Natal permaneceu apenas na memória.

Para evitar repetições, trocas eram feitas entre os batalhões para evitar familiaridade com o inimigo. Os comandantes ordenaram ataques mais intensos nestas datas, inclusive. 

Mas mesmo que fortes bombardeios de artilharia fossem ordenados justamente na véspera de Natal, em alguns lugares a mira era posta em um lugar fixo. Assim, foram evitadas baixas de ambos os lados.

A história, no entanto, está repleta de outros detalhes importantes. Nos relatos detalhados abaixo, os trechos das cartas dos soldados confirmam a beleza da Trégua de Natal.

As súplicas de paz em meio à guerra

No Natal de 1914, um grupo de 101 mulheres sufragistas assinou a Carta Aberta de Natal, uma mensagem pública de paz dirigida “às Mulheres da Alemanha e da Áustria”.

Em 7 de dezembro, o Papa Bento XV aludiu a uma trégua entre os governos em guerra. Ele pediu:

“Que as armas possam cair em silêncio, ao menos na noite em que os anjos cantam”.

Seu pedido foi recusado pelas autoridades. Mas a vida das trincheiras, fria e lamacenta, motivou as tropas a cessar fogo por conta própria.

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Como foi o Natal de 1914?

Alemães enfeitam as trincheiras com árvores no Natal de 1914

As Tréguas de 1914 não eram oficiais. Nenhum comandante ordenou um cessar-fogo no Natal. Mesmo assim, os armistícios estavam acontecendo na Frente Ocidental. De acordo com o historiador Stanley Weintraub, cem mil soldados dos dois lados aderiram às tréguas ao longo do ano.

Tudo começou quando as tropas alemãs decoraram o entorno de suas trincheiras em Ypres, Bélgica, na véspera de Natal. Foram colocadas velas e árvores de Natal que haviam sido enviadas pelo imperador alemão, Guilherme II, para reforçar a moral das tropas.

Algumas tréguas duraram até seis dias, alcançando o Ano Novo.

Quando os alemães cantaram canções de Natal, os britânicos responderam com suas próprias canções. 

Exatamente na noite de Natal de 1914, as sentinelas na trincheira alemã cantaram Stille Nacht, Heilige Nacht. Mesmo sem entender alemão, os ingleses reconheceram a melodia e entenderam: era Silent Night (“Noite Feliz”).

A conversa entre eles semelhante a:

— “Good, old Fritz!”

— “Merry Christmas, Englishmen! We not shoot, you not shoot!”

Juntos, cada grupo cantava a mesma canção, cada um em seu próprio idioma. 

O fuzileiro Graham Williams, da 1ª Brigada de Fuzileiros de Londres, escreveu sobre o fato de que cantavam a mesma canção em línguas diferentes. 

“Começamos a cantar O Come, All Ye Faithful e imediatamente os alemães se uniram cantando o mesmo hino em suas palavras latinas, Adeste Fideles. Que coisa extraordinária – duas nações inimigas entoando o mesmo cântico no meio da guerra”.

Como os lados gritavam saudações de Natal um ao outro, surgiram convites de ambos os lados para uma trégua. Além de não atacar simplesmente, as propostas eram também para um encontro pacífico.

O trecho abaixo foi retirado de um diário de guerra dos Guardas Escoceses. Diz um soldado que…

“entrou uma patrulha alemã e recebeu um copo de uísque, charutos e uma mensagem dizendo que se não atirássemos neles, eles não atirariam em nós”.

Anos depois da Trégua de Natal de 1914, o capitão alemão, Josef Sewald, do 17° Regimento Bávaro, disse:

“Gritei para os nossos inimigos que não queríamos atirar e que faríamos uma trégua de Natal. Disse que eu viria do meu lado e que poderíamos conversar entre nós. A princípio, houve silêncio, voltei a gritar e um inglês gritou, ‘Parem os tiros!’ Aí um deles saiu das trincheiras e eu fiz o mesmo, e nos aproximamos e trocamos um aperto de mãos – um tanto cautelosos!”

Na Terra de Ninguém, a artilharia fez silêncio. Inimigos trocaram cigarros, tabaco, alimentos, álcool, botões e chapéus dos uniformes. Tropas belgas, por exemplo, aproveitaram a trégua e pediram aos soldados alemães que entregassem cartas aos familiares nas regiões ocupadas.

Um dos soldados que serviu na Primeira Guerra Mundial, Bruce Bairnsfather, escreveu sobre a troca de presentes.

“Eu não perderia aquele único e estranho dia de Natal por nada deste mundo… encontrei um oficial alemão, um tenente penso eu, e sendo um colecionador, disse a ele que havia gostado de alguns de seus botões. Eu trouxe meu cortador de arame, retirei um par de botões e coloquei-os no bolso. Então eu lhe dei dois dos meus em troca… depois reparei num dos meus artilheiros, que era cabeleireiro amador na vida civil, a cortar o cabelo bastante longo de um boche (alemão) dócil, que estava pacientemente ajoelhado no chão, enquanto a máquina de corte deslizava em volta de seu pescoço”.

Oswald Tilley relatou isto em uma carta para seus pais:

“Literalmente, centenas de cada lado estavam na Terra de Ninguém apertando as mãos”.

Houve até mesmo uma Missa bilíngue na manhã de Natal. Celebrada pelo capelão escocês J. Esslemont Adams e um seminarista alemão, o momento religioso levou o tenente Arthur Pelham Burn a dizer que foi um espetáculo extraordinário.

“Os alemães alinhados de um lado, os britânicos de outro, os oficiais à frente, todos de cabeça descoberta”.

Além da missa, os soldados também confraternizaram por meio do jogo.

  • Se você estiver interessado em assuntos envolvendo guerras e soldados, leia o que já escrevemos sobre o Regime Militar no Brasil em 1964 e a participação dos Pracinhas na Segunda Guerra Mundial.

O futebol na Trégua de Natal realmente aconteceu?

Futebol na Trégua de Natal entre alemães e britânicos

Soldados franceses, alemães e ingleses jogaram bola em Saint-Yves. Diz-se que a partida entre alemães e britânicos terminou em 3 x 2 para os alemães.

Na época, o futebol já era o esporte mais popular entre os países. Escoceses jogaram contra alemães. Também houve um jogo entre britânicos e alemães. Uma das partidas teve como troféu uma caneca alemã decorada.

Ocorriam também partidas que eram apenas a diversão com a bola, sem placar, sem organização de posições e envolvendo mais de 40 soldados.

Esta imagem, especificamente, foi retratada em uma música de Paul McCartney. 

O relato mais detalhado é o de Johannes Niemann, saxão que serviu no 133º Regimento Real. Em uma entrevista de 1960, descreveu:

“A névoa estava demorando para clarear e, de repente, um ordenança se jogou na minha barraca dizendo que os soldados alemães e escoceses tinham saído de suas trincheiras e estavam confraternizando. Peguei meus binóculos e, olhando cautelosamente por cima da trincheira, vi uma incrível cena dos nossos soldados trocando cigarros, schnapps (aguardente) e chocolate com o inimigo. Depois um soldado escocês veio com uma bola de futebol que apareceu do nada e, alguns minutos depois, começou uma partida. Os escoceses marcaram as ‘traves’ do gol com seus chapéus estranhos e nós fizemos o mesmo com os nossos. Estava longe de ser fácil jogar no chão congelado, mas continuamos, mantendo rigorosamente as regras, apesar de durar apenas uma hora e não termos árbitro. Muitos passes foram muito amplos, mas os jogadores amadores, apesar de estarem todos muito cansados, jogaram com enorme entusiasmo”.

Nenhuma outra Trégua produziu os mesmos efeitos que esta, mas a partir de 1914 não foi a última.

Ocorreram outras tréguas?

No início, as tréguas não se limitavam apenas ao Natal. Nos primeiros meses de batalhas nas trincheiras, os armistícios refletiam o pensamento “viva e deixe viver”. 

Devido a esta forma de pensar, o comportamento cooperativo e não agressivo desenvolveu-se de forma espontânea. 

Em alguns locais, as infantarias dos lados em guerra estavam mais próximas. Elas evitavam um comportamento abertamente agressivo e arriscavam algumas confraternizações em algumas situações. Inimigos conversavam e trocavam cigarros.

Não raras vezes, nesses primeiros momentos, havia cessar-fogo para que os corpos dos feridos fossem resgatados e os dos mortos, recolhidos. 

Há registros de funerais em conjunto. Também era acordado que não se atiraria enquanto homens descansassem, fizessem exercícios ou trabalhassem, mesmo que à vista do inimigo.

Não se pode negar que havia riscos. De fato, alguns soldados morreram pelas forças inimigas por terem se arriscado fora das trincheiras.

As Tréguas de Natal receberam mais destaque porque dezenas de soldados se envolveram, reunindo-se abertamente e à luz do dia.

Os anos de 1915 e 1916 com tréguas conturbadas

A Trégua de Natal de 1914 não foi a última. Em 1915, no domingo de Páscoa, alemães tentaram deixar as trincheiras erguendo uma bandeira branca. Os britânicos os dissuadiram.

Em novembro, houve uma confraternização entre uma unidade saxônica e um batalhão de Liverpool.

Mesmo com as tréguas expressamente proibidas e com os soldados incentivados a manter o ataque à linha de frente inimiga, tréguas breves também ocorreram no Natal de 1915.

Outras tréguas chegaram a ser planejadas, mas não aconteceram. Llewelyn Wyn Grifftih testemunhou uma das tréguas. Disse que os soldados passaram a noite trocando canções. Trocaram às pressas presentes na madrugada de Natal, antes que seus oficiais os chamassem de volta.

Havia a promessa de um cessar-fogo também durante o dia e de jogar uma partida de futebol. Um homem tinha feito a bola, mas ela não foi usada. Os combates tiveram de retornar durante a tarde, porque o comandante de brigada tinha sido ameaçado de insubordinação.

Há relatos tardios de uma possível Trégua de Natal em 1916. Este é o relato na carta de Ronald Mackinnon, 23, sobre alemães e canadenses próximos a Vimy Ridge.

“Aqui estamos novamente, como diz a canção. […] Eu tive um bom Natal, considerando que eu estava na linha de frente. A véspera de Natal foi muito dura, serviço de sentinela até os quadris na lama, claro… Tivemos uma trégua no dia de Natal e os alemães foram bastante amigáveis. Eles vieram para nos ver e nós trocamos corned-beef por charutos”. 

Encerrando a carta, comenta que o Natal foi “très bon”, querendo dizer que foi muito bom.

Murdoch M. Wood, um soldado britânico, disse em uma entrevista em 1930:

“Cheguei a uma conclusão que mantenho muito firmemente desde então: se fôssemos deixados sozinhos, nunca mais haveria outro tiro”.

Este era o sentimento de vários soldados. Mas, como reagiu a população mundial?

Os jornais noticiam ao mundo as tréguas espontâneas dos inimigos

Os jornais publicam a Trégua de Natal

Uma semana após a Trégua de 1914, em 31 de dezembro, o New York Times revelou ao mundo o que havia ocorrido. Os relatos das cartas que os soldados escreviam para as famílias foram impressos em jornais. 

Algumas manchetes diziam:

“Uma das maiores surpresas de uma guerra surpreendente”.

Em 8 de janeiro, já havia fotografias. Jornais como o The Daily Mirror e Daily Sketch divulgaram imagens de britânicos e alemães cantando juntos entre as linhas de combate. Isto estava na primeira página.

As matérias abordavam o acontecimento com um tom favorável. Os jornais britânicos eram mais moderados e os franceses publicavam o mínimo, sempre relembrando que o ato configurava traição.

Muitas músicas foram inspiradas pelos eventos da Trégua de Natal de 1914. Além delas, livros, filmes e episódios retrataram na arte o cessar-fogo entre os inimigos. 

Na França, há um memorial da Trégua de Natal. Foi inaugurado em 11 de novembro de 2008 e está localizado em Frelinghein. Na inauguração, os homens do 1º Batalhão dos Royal Welch Fusiliers jogaram futebol com o Batalhão 371 alemão como um ato simbólico, representando a união e a paz. 

Mais inusitada, porém, foi a inspiração da Trégua de Natal para a criação de um albergue.

O que a Trégua de Natal tem a ver com a criação de albergues?

Richard Schirmann era um soldado alemão posicionado nas montanhas dos Vosges, em Bernhardstein. O que ele viveu em dezembro de 1915 inspirou uma de suas criações.

Seu relato foi:

“Quando os sinos de Natal soaram nas aldeias do Vosges atrás das linhas… aconteceu uma coisa nada militar. As tropas alemãs e francesas fizeram espontaneamente as pazes e cessaram as hostilidades; eles se visitaram uns aos outros através de túneis de trincheira em desuso, trocaram vinho, conhaque, cigarros, pão-preto da Vestefália, biscoitos e presunto. Eles permaneceram bons amigos mesmo depois do Natal”.

Inevitavelmente, a amizade iniciada foi interrompida com o retorno da disciplina militar. O que não terminou foi a reflexão de Schirmann. Ele pensou que poderia haver um lugar para que jovens de todos os países se reunissem para se alojar e se conhecer.

Em 1919, ele fundou a Associação Alemã dos Albergues da Juventude (Hostelling International – antiga International Youth Hostel Federation – IYHF). Esta federação envolve mais de 90 associações nacionais de albergues para a juventude. Em mais de 80 países, abrange mais de 4.500 hotéis.

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13 comentários

  1. João Carlos

    Realmente pelo que fiquei sabendo, as coisas foram mais ou menos como descrito acima. A partida de “football” resultou em 2×1 para os alemães. Na noite de Natal de 1914, um jovem soldado alemão, na trincheira, resolveu cantar “Noite Feliz” (Stille Nacht) cuja letra, do padre austríaco Joseph Mohr e música de Franz Gruber, era muito cantada em casa pelo pai daquele soldado alemão. Seus colegas fizeram coro e perceberam que das trincheiras inimigas, os ingleses, franceses belgas, escoceses e irlandeses também começavam a cantar a mesma canção, cada um em sua língua e cada vez mais alto desafiando uns aos outros para ver quem entoava com maior vigor.
    A certa altura um capelão irlandês, bastante animado resolveu sair da sua trincheira, após o jovem alemão ter pedido, com seu inglês “macarrônico” para que os ingleses não atirassem que eles também não atirariam. Também saindo de sua trincheira, o jovem soldado alemão, que não tinha mais do que 16 anos, foi ao encontro do capelão em plena “terra de ninguém”, naturalmente estando todos por ali ainda bastante receosos e inseguros com aquela inusitada situação. Houve um congraçamento, conforme foi dito e após ficaram em uma situação difícil perante os comandos das tropas, uma vez que nos dias seguintes apenas o consumo de munição continuou, porém sem que houvesse baixas entre as tropas. Os disparos eram feitos bem acima das linhas inimigas, naturalmente sem que atingissem ninguém. Mesmo sob ameaças de corte marcial, que não foram suficientes para fazer com que as tropas retornassem aos combates, só restou ao alto comando alemão determinar a substituição de todo o Regimento, que se distribuía ao longo de mais de 40 km, naquele trecho, para que os combates prosseguissem.
    Infelizmente, não foi muito exemplar o final da vida daquele jovem soldado alemão, nascido em Dresden, que mais tarde se tornou um médico ortopedista e um grande pesquisador no desenvolvimento da Sulfa, tornando-se também um destacado virologista do III Reich, fazendo pesquisas sobre a malária, tifo e outras doenças que impunham grandes baixas nas tropas, principalmente no norte da África. Seus estudos influenciaram terríveis consequências durante a II Grande Guerra, em Natzwiller-Struthof, na região da Alsácia-Lorena, na França.

  2. Sonia Cristina Ferreira

    Nossa!!! Tudo de bom,jamais li em nenhuma literatura tais acontecimentos.Reforçando minha esperança de que a humanidade tem salvação.

  3. Sandro Santos dos Santos

    Excelente artigo. Rico de informações. Não recordo de ter ouvido esses fatos durante minhas aulas de história. Lamentável!
    Mas graças a Deus, o Brasil Paralelo está fazendo um grande Serviço ao Brasil, resgatando sua história, sua verdade, sua identidade. Gratidão! Avante Brasil 👊🏿😉🇧🇷

  4. Raul

    Que história, é de emocionar, imagino quão bravos e fiéis eram esses soldados.
    Brasil Paralelo, vocês estão de parabéns, que trabalho meu caros, que trabalho! 👏🏻🇧🇷🎄

  5. Nika Oliver

    Emocionantes relatos que nos leva a reflexão!
    Que bom seria se não houvesse ganância…
    Permaneceria a inocência e a alma livre de maldade! Reinaria a essência mais pura do ser humano! A bondade!!!

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