O que é capitalismo? Como Funciona e Principais Características

O que é capitalismo? Afinal, o sistema capitalista é bom ou ruim?

O que é capitalismo, desenvolvimento e características

Para entender o que é capitalismo, é fundamental entender o que o capitalismo não é. Muitos consideram que este sistema é o responsável pelos maiores problemas da humanidade. Para avaliar se esta consideração procede, é necessário lançar um olhar histórico, social e econômico sobre o assunto.

As conversas sobre o sistema capitalista invariavelmente levam à esfera política. Por esta razão, já existe um artigo completo da Brasil Paralelo sobre a verdadeira diferença entre a direita e a esquerda.

O que você vai aprender neste artigo?

  1. O capitalismo de um lado, o socialismo do outro. E no meio?
  2. O que é capital?
  3. O que é capitalismo?
  4. A descrição marxista do capitalismo;
  5. Qual é o principal objetivo do capitalismo?
  6. Como é a economia capitalista?
  7. O sistema capitalista funciona?
  8. A influência do liberalismo sobre a economia capitalista;
  9. O que é o capitalismo liberal?
  10. Qual é o papel do Estado na economia capitalista?
  11. Como o sistema capitalista surgiu e se desenvolveu?
  12. O capitalismo e a democracia dos consumidores;
  13. O erro de Mises.

O capitalismo de um lado, o socialismo do outro. E no meio?

Em um extremo está o socialismo, que são os meios coletivos de produção. Isto significa que nada pertence a ninguém. Uma autoridade eleita ou totalitária comanda e organiza todo o planejamento dos recursos disponíveis para os homens. 

No outro extremo está o capitalismo, que são os meios privados de produção e a liberdade econômica. Isto significa uma completa descentralização e nenhuma interferência do Estado. 

Não existe um país 100% capitalista no planeta, da mesma forma que não existe nenhum país 100% socialista. 

O que existe são os sistemas intervencionistas que se aproximam do estilo socialista, tendo sua meta à esquerda; ou que se aproximam do capitalismo, tendo sua meta à direita.

Esta localização conceitual serve como introdução ao tema. Mesmo antes da definição de capitalismo, outra pergunta precisa ser respondida.

O que é capital?

Capital vem do latim capitale, que significa cabeça. Isto é uma alusão à riqueza, que em outros tempos era maior de acordo com a quantidade de cabeças de gado possuídas. O termo também pode significar liderança e poder.

Em economia, capital é um bem destinado à produção de outros bens econômicos. Por exemplo, uma máquina que faz xícaras é um capital, porque produz outros bens econômicos.

O dinheiro é entendido como capital enquanto implica a possibilidade de adquirir bens de capital, afinal, aqueles que têm dinheiro podem comprar o que precisam para fabricar o que pretendem.

Por sua vez, os bens de consumo estão diretamente ligados à satisfação do homem. Não são considerados capital. 

O que é capitalismo?

O capitalismo é um sistema no qual há plena liberdade econômica tanto dos meios de produção quanto da propriedade privada. O acúmulo de capital favorece a geração de riqueza por meio do lucro. 

Este é o sistema mais difundido no mundo por causa de sua eficácia econômica e seus benefícios na redução da pobreza em geral, como será explicado ao longo do texto.

O capitalismo não é uma cultura, é um conjunto de relações econômicas que se desenvolvem nas culturas já existentes e se adaptam a elas, renovando-as e fortalecendo-as. Quando o capitalismo tenta destruir uma cultura, ele enfraquece e perde espaço para o socialismo. 

  • Este artigo é baseado na primeira aula do curso “O que é Capitalismo”, ministrado por Lucas Ferrugem, um dos fundadores da Brasil Paralelo. Torne-se membro e acesse o Núcleo de Formação para assistir às aulas deste curso e de dezenas de outros, sobre história, filosofia, economia, arte e educação.

A descrição marxista do capitalismo

Descrição marxista do capitalismo

Karl Marx descreve o capitalismo com base inteiramente na premissa de que as relações econômicas são a essência da vida social. Os outros elementos culturais, psicológicos, morais e religiosos que compõem a vida do homem, inclusive anteriores ao surgimento do capitalismo, são omitidos.

A única relação que recebe foco é a do capital-trabalho, fundada na alienação, no fetiche pelo dinheiro e na destruição dos laços de participação comunitária.

Nesta ótica marxista, o ser humano é visto como um indivíduo inexpressivo usado como marionete pelas forças mecânicas de produção e consumo. 

Esta descrição tem sido aceita por muitas pessoas, embora o capitalismo, como ela descreve, nunca tenha ocorrido. Não se trata de uma cultura; afinal, os países onde o capitalismo mais aderiu foram aqueles que mais permaneceram firmes em suas tradições, especialmente as religiosas.

A leitura da história aponta que os países mais vulneráveis ao ateísmo foram na direção oposta, preferindo o socialismo.

Como esta é a versão mais conhecida, a do capitalismo sendo uma criação puramente burguesa para oprimir a classe proletária, é necessário fundamentar as principais características do capitalismo.

Qual é o principal objetivo do capitalismo?

O principal objetivo do capitalismo é facilitar a criação e a produção de valor. Neste contexto, valor pode ser entendido como bens e serviços que contribuem para a vida e o bem-estar de uma pessoa.

A liberdade é a condição para a existência do capitalismo. Ela é necessária para a existência da criatividade, que estimula a inovação em produtos para a satisfação e a necessidade das pessoas.

Esta realidade está diretamente ligada à uma motivação humana básica e natural.

Ao observar a maioria das pessoas individualmente, percebe-se que elas são motivadas por uma “corrida pelo ouro”, uma corrida por um prêmio. Naturalmente, elas querem um grande ganho por terem se esforçado e assumido riscos por algo. 

Pensando nesta busca das pessoas, compreende-se o que é o capitalismo em duas partes:

  • Divisão do trabalho de forma especializada;
  • Tentativa de resolução de problemas. 

Por exemplo, os empreendedores, com um certo grau de livre iniciativa, podem investir seu próprio capital, ou algum empréstimo, energia e esforço para criar algo que eles pensam que as pessoas gostariam de ter ou fazer.

Se funcionar, haverá um lucro e poderá ser reinvestido para obter um lucro maior.

O que possibilita a criação de produtos e serviços é o bônus da geração de riqueza. 

Quem trabalharia, correria riscos, usaria seu tempo de vida e esforço para produzir e não ter retorno? Quem passaria dias, meses e anos trabalhando para não ver a realização de seu suor?

As pessoas criam produtos e serviços para ter ganhos. O dinheiro não é o único motivo para trabalhar, mas é um fator muito importante e, se for subtraído, a relação com o trabalho muda totalmente.  

Liberdade e propriedade privada

Um empreendedor se esforçaria durante anos erguendo uma empresa se não pudesse chamá-la de sua? E se, depois de se dedicar ao seu negócio, o Estado pudesse tirar dele o que ele construiu? Aparentemente, ele não gostaria de empreender em um país onde o Estado tivesse esse poder.

E se ele não tivesse o direito legal de criar produtos e vendê-los a quem quisesse?

Não há sistema capitalista sem que as pessoas tenham algo para chamar de seu, propriedade privada e liberdade, livre iniciativa.

Estes aspectos se tornarão mais claros ao explicar o desenvolvimento do capitalismo.

Como é a economia capitalista?

Em uma economia capitalista, existem aqueles que contribuem com os meios de produção e aqueles que trabalham para a realização desta atividade, ou seja, aqueles que operam e aqueles que oferecem os meios produtivos são diferentes. Um grupo de pessoas trabalha para outras.

Nessa atividade econômica, o regime é assalariado. Esta distinção por si só não implica que seja má ou injusta, sendo apenas um formato de produção de riqueza. 

Os Estados Unidos da América são o maior exemplo de país capitalista do mundo. No entanto, o país passa por crises nunca antes vivenciadas.

  • Para entender o que está acontecendo com a economia americana e a influência da China, assista à trilogia O Fim das Nações, que aborda o que é o Século Americano.

O sistema capitalista funciona?

Na sociedade, o capitalismo funciona criando uma dialética entre cooperação e competição.

Pessoas e empresas competem por recursos, por melhorias, por aperfeiçoamento e por destaque. A competição gera lucro porque, a partir do momento em que um indivíduo gera mais riqueza dentro de uma empresa, ele passa a ter um poder de barganhar por um salário mais alto. 

Se um funcionário leva seus chefes a receber vinte mil reais, ele certamente pode pedir um aumento.

E se uma empresa gera mais riqueza, ela alcança mais pessoas e pode gerar mais produtos e serviços, elevando o bem-estar geral.

Esta realidade torna possível a criação de uma escala de negociação de acordo com a geração de valor.

Para o funcionamento do sistema capitalista, é necessário:

  • Livre troca;
  • Livre iniciativa;
  • Livre associação.

As pessoas podem aderir pelo que quiserem, podem fazer o que quiserem e podem trocar coisas pelo que quiserem.

A competição por mercados e a cooperação para a produção de novos bens gerou um aumento do bem-estar e da riqueza mundial.

Alguém poderia questionar ao apontar a existência dos pobres, as mortes que ainda acontecem devido à inanição e as inúmeras famílias em péssimas condições sociais.

Mas esta realidade não altera o fato de que o mundo de hoje é muito mais rico do que no passado.

A riqueza gerada pelo capitalismo

mundialmente o capitalismo favoreceu o aumento da riqueza

A cooperação começou a ser mais vantajosa do que a competição selvagem. A competição continuou a existir, mas como capacitação e busca por novas oportunidades e melhores meios de entregar algo.

A história da renda no mundo o confirma. Hoje, a sociedade está muito mais rica do que já foi. Mesmo aqueles considerados pobres atualmente possuem um excelente padrão de vida se comparado com o de seus antepassados.

Há uma maior abundância de recursos, possibilidades, menos pobres, menos miséria. Atualmente vivemos o melhor momento da história da humanidade, com menos pobreza e mais riqueza.

O capitalismo proporcionou esta geração de riqueza, esta conexão entre as pessoas. 

Se alguma força intervém nesta relação de cooperação e competição, na relação de liberdade e criatividade, um desestímulo é gerado e a geração de riqueza não será a mesma.

Então, por que intervir?

Há uma desconfiança nas pessoas de que se tudo for entregue ao capitalismo, haverá um desequilíbrio no bem-estar social. Sem qualquer tipo de intervenção, grupos de pessoas podem beneficiar apenas a si mesmas, gerando o caos em certas áreas da sociedade.

Não há total confiança em delegar tudo à livre-iniciativa de uma forma totalmente isenta de um poder intervencionista.

Para resolver isto, o socialismo não é uma opção. Já houve tentativas de chegar ao socialismo de forma mais radical, e o resultado da natureza levou a parar este caminho. O resultado foi catastrófico e milhares de vidas foram perdidas.

Por outro lado, a aproximação menos radical do capitalismo gerou muita riqueza, muito bem-estar e muita qualidade de vida.

Entretanto, os pontos negativos do capitalismo podem ser facilmente percebidos em sua aproximação da doutrina do liberalismo.

A influência do liberalismo na economia capitalista

O liberalismo é uma filosofia, precisamente uma ideologia, que exalta a liberdade humana.

As principais características são:

  • Nominalismo: negação da universalidade do conhecimento e ênfase no individual. O nominalismo nega conceitos que são alcançados somente com abstração intelectual, sem o uso dos sentidos; 
  • Racionalismo: exaltação da razão humana;
  • Iluminismo: concepção de homem como autônomo em relação à moral. Além disso, há a defesa da acumulação de riquezas.

O humanismo liberal é acrescentado a estas características. Nele, a liberdade é considerada a essência absoluta do ser humano, que por sua vez é considerado bom sem ter que fazer nada para isso. É o homem que se determina a si mesmo.

Em uma economia liberal, o fundamento é a lei da oferta e da procura, o fim último da economia é o lucro, o trabalho é considerado apenas uma mercadoria e a liberdade e a propriedade privada são considerados direitos absolutos.

O liberalismo em relação à sociedade e ao Estado

Grupos de pessoas que existem entre os indivíduos e o Estado são suprimidos, como, por exemplo, a família.

A função do Estado é ser apenas a custódia da liberdade e da propriedade, não interferindo em relações de clara injustiça entre os membros da sociedade. Assim, a autoridade política não tem autoridade positiva, que seria a autoridade para agir além das questões de liberdade e propriedade.

Moral e Direito

Na concepção liberal, as normas são autônomas, as pessoas legislam por si mesmas (a lei é decisão dos indivíduos). Isto porque não há valores morais objetivos, mas subjetivos. O que serve para um pode não servir para os outros.

Existe um positivismo jurídico, pelo qual a lei é definida com base na vontade dos que estão no poder. Basta decidir que é errado ou que é certo e será definido dessa forma. 

Outra característica é a prevalência do indiferentismo religioso. A partir deste resumo do liberalismo, pode-se entender o problema de sua união com o capitalismo.

O que é o capitalismo liberal?

Nesta união da economia capitalista e ideologia liberal, o resultado é que o lucro se torna o motor essencial do progresso econômico, a concorrência se torna lei suprema e a propriedade privada como um bem absoluto sem obrigação social.

Por que isso é um problema?

Visto desta forma, o sistema coloca o homem a serviço da economia, quando seria natural que a economia estivesse a serviço do homem. O lucro assume a posição mais importante, e a condição humana é relevada.

Foi a partir da Revolução Francesa, em particular, que a doutrina liberal foi difundida. Com seus excessos, viu-se miséria, abusos das grandes riquezas e do direito de propriedade.

Uma prepotência despótica estava nas mãos de poucos e a acumulação de riqueza pela própria riqueza se alastrava sem preocupação moral.

Problemas como estes levaram as pessoas a temer o capitalismo e a buscar mais intervenção estatal. 

Qual é o papel do Estado na economia capitalista?

O Estado moderno é escolhido por meio do voto. Ele é formado por pessoas que a maioria da população elege. Como esses representantes irão legislar, eles também recebem do povo o poder de decidir o que podem ou não fazer.

Neste processo, o poder é dado àquele que, em teoria, fará o que seu eleitor quer. A fim de cuidar das responsabilidades que prometeu assumir, o representante arrecada dinheiro por duas vias: 

  • Taxando aqueles que produzem; 
  • Estatizando empresas.

Entretanto, toda vez que o Estado presta um favor, ele quebra com a democracia do consumidor. Ele pode proibir que outros façam o que ele faz. Quando se é a única opção, não é necessário competir por preços, não há concorrentes.

Imposto

Os membros do Estado são eleitos e, no final, acabam cobrando para fazer as coisas de forma compulsória. 

As pessoas, em geral, aplicam seu tempo a alguma energia a fim de produzir riqueza. O imposto cobrado pelo Estado é uma parte da energia empregada pelas pessoas, uma parte do seu tempo, dedicado a acumular um dinheiro que é repassado.

Se o imposto não é pago, as consequências são severas.

Um percentual da riqueza de quem trabalha é enviado para uma parcela da população que não produz, mas fiscaliza.

Níveis de atuação do Estado

Os três níveis de atuação do Estado são:

  1. Taxação;
  2. Regulação;
  3. Administração.

Taxação

Um percentual do que foi produzido é cobrado na taxação. O sujeito ainda pode fazer o que quiser, sendo cobrado apenas por uma parte para que o Estado, em tese, tenha um determinado montante para redistribuir e aplicar na sociedade pensando no bem comum.

Este montante pode ser utilizado em saúde, proteção, redução da pobreza e outros problemas sociais.

Regulação

Na regulação, mais do que taxar e cobrar o imposto, o Estado também decide as regras a serem seguidas. São criadas regras de atuação em certos mercados.

Somente aqueles que forem aprovados pelo Estado poderão oferecer seus serviços ou produtos. Assim, certos grupos não poderão competir neste ramo.

Outras formas de regulação são o salário mínimo, o protecionismo e a proibição propriamente dita.

Administração

Na administração, o Estado determina o que fará e o que outros estão proibidos de fazer. Para chegar a este ponto, o Estado, além de regular, precisa fiscalizar para saber se a regulação está sendo cumprida.

Quanto maior a regulação, maior o gasto estatal com o que é necessário para fiscalizar.

Em um eixo totalmente socialista, toda propriedade pertence ao governo. 

Em um eixo totalmente capitalista, toda propriedade é privada.

A realidade no mundo não é uma realidade de extremos. Os governos, através da estatização das coisas, intervêm na democracia de mercado, que é o capitalismo. 

O Estado executa um intervencionismo. As pessoas eleitas pela maioria recebem poder para resolver problemas da sociedade. Isto é aceito por causa da crença de que a intervenção é necessária para resolver certos problemas comunitários.

Outros acreditam que algumas pessoas serão prejudicadas se não houver um agente público comum que distribua o dinheiro recolhido para os desfavorecidos, que de outra forma não teriam uma chance.

Mas nem sempre foi assim. Quais seriam as origens históricas do capitalismo?

Como o sistema capitalista surgiu e se desenvolveu?

O capitalismo surgiu a partir do momento em que a riqueza financeira começou a predominar sobre a propriedade territorial. Os primeiros capitalistas na Europa foram os próprios proprietários de terras, os senhores feudais.

É falso o que se ensina sobre o surgimento de uma nova classe, chamada burguesia, que tomou o poder. As grandes famílias de senhores feudais foram os primeiros capitalistas, pois tinham os dois tipos de poder ao mesmo tempo. 

Atualmente, o capitalismo é o único sistema econômico que existe e está profundamente arraigado na Europa. A única alternativa seria um retorno ao sistema feudal.

Entretanto, vive-se um capitalismo atenuado pelo intervencionismo governamental. Todos os países mantêm relações comerciais baseadas no capitalismo, mesmo que de forma secreta, atenuada ou ilegal, como no caso dos socialistas.

O capitalismo como desenvolvimento natural das relações humanas

ser capitalista é vender produto ou serviço a quem quiser

O ser humano percebeu que se ele alocasse o tempo que utilizava para caçar peixes para fazer uma rede, poderia caçar mais peixes. Então, ele usou o tempo para construir uma rede e, na expectativa de caçar mais peixes, conseguiu apossar-se de uma quantidade maior.

Com os peixes restantes, as opções eram duas: guardá-los ou trocá-los por outro produto. Este é o início do processo de escambo. Com o tempo e a complexidade das trocas, foi criado o dinheiro, uma moeda comum a ser usada com parâmetro. 

Estabeleceu-se que cada bem valeria uma determinada unidade dessa moeda. O dinheiro poderia ser usado na troca por qualquer produto, bastando apenas fazer a equivalência.

Ao economizar as moedas, em tese, é possível ter o que se quiser. 

Por meio da cooperação, muitos produtos são criados, parcerias são formadas e serviços são prestados. Funções começaram a ser distribuídas, com cada um tendo seu papel e, desta forma, surgem livre-associações. A Companhia das Índias é talvez a primeira delas.

Assim, a realização das Grandes Navegações entre os séculos XV e XVI marcam um novo modelo econômico de sociedade.

A posse de terras continuava a ser importante, mas uma nova relação comercial baseada na equivalência de moedas começou, além da cooperação na busca e produção de bens que as pessoas queriam.

O aumento da riqueza, da quantidade de produtos e de bem-estar foi exponencial. 

Ainda mais detalhadamente, o capitalismo pode ser estudado em fases, nomeadamente comercial, industrial e financeira.

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Capitalismo comercial ou mercantil

Esta é a primeira fase ou fase pré-capitalista. Seu início data do século XV e foi baseada nas trocas comerciais envolvendo comunidades locais ou internacionais. Com a expansão marítima europeia e a formação de colônias, foram estabelecidos mercados entre diferentes países.

As colônias exportavam as matérias-primas utilizadas pelas metrópoles na produção de mercadorias, marcando a divisão internacional do trabalho. Neste período, o sistema econômico era o mercantilismo.

Houve um acúmulo de territórios, matérias-primas e metais preciosos por parte das nações. Para manter uma balança comercial favorável, era natural que os países procurassem exportar mais do que importar.

O modo predominante de produção era a manufatura. Este era também o período de surgimento da moeda. Outras características eram o monopólio comercial, metalismo (acúmulo de metais preciosos) e o protecionismo (surgimento de barreiras alfandegárias).

Capitalismo industrial ou industrializado

Após a Revolução Industrial, que levou à troca do trabalho manual pelo trabalho mecânico, o capitalismo sofreu alterações. Os produtos manufaturados foram substituídos por industrializados e estes se difundiram pelo cenário mundial.

Nesta época, a doutrina do liberalismo econômico foi estabelecida. Basicamente, esta é a ideia de que o Estado não deveria intervir na economia. Esta deveria ser regulada apenas pelas leis do mercado em um possível equilíbrio de preços e custos de produção.

Outras características do capitalismo industrial foram:

  • Expansão e desenvolvimento dos transportes;
  • Aumento da produtividade;
  • Redução do preço das mercadorias;
  • Ampliação do número de trabalhadores;
  • Diversificação das relações internacionais;
  • Início do imperialismo e da globalização;
  • Desenvolvimento industrial;
  • Saturação de mercados;
  • Acumulação de capital.

Capitalismo financeiro ou monopolista

Esta fase do capitalismo corresponde ao final do século XIX e início do século XX, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, por causa da expansão da globalização.

Nos países mais desenvolvidos, a economia passou por um processo de financeirização. Houve um deslocamento do poder industrial para o poder financeiro das empresas.

O capitalismo financeiro foi o resultado da união do capital bancário e do capital industrial, já que as empresas estavam se dividindo em ações. Elas mesmas começaram a ser comercializadas como se fossem produtos. 

A bolsa de valores está neste contexto.

Outras características são:

  • Surgimento de monopólios e oligopólios comerciais;
  • Expansão de novas tecnologias e fontes energéticas;
  • Urbanização acelerada e aumento do mercado consumidor;
  • Aumento da concorrência internacional.

Em todas estas variações para explicar o que é capitalismo, uma realidade permanece a mesma, que é justamente o poder que as pessoas têm para escolher o querem, o que não querem e de quem comprar.

O capitalismo e a democracia dos consumidores

no capitalismo existe democracia do consumidor e lei da oferta e da procura

Para Ludwig von Mises, um dos maiores nomes da economia mundial, o capitalismo é a democracia dos consumidores. Todos os dias, as pessoas decidem em quem vão “votar” para ser o soberano de cada item. 

Ao comprar o produto A e não o produto B, elas informaram que o serviço ou o produto B não é o que mais agrada, seja no preço ou na qualidade.

Na escola, ensina-se a lei da oferta e da procura. Isto nada mais é do que o preço que as pessoas estão dispostas a pagar.

Se uma empresa não tiver a preferência de um conjunto de consumidores e perder de forma drástica sua aceitação, ela deixará de existir porque não pagará as contas. É isto que justifica a diferença de preços.

A oferta e a demanda e o sistema de preços consolidam a democracia do consumidor. Somando-se a isto a conquista da igualdade para todos perante a lei, qualquer um possui a livre-iniciativa de desafiar qualquer grife.

Qualquer um pode dizer:

“Eu sou melhor, eu cobro mais caro, eu faço com mais qualidade”.

São os consumidores que “votam”. Cada vez que alguém ousa inovar e oferecer um produto novo ou melhorado, ou ainda o mesmo produto com um preço melhor, as empresas consolidadas, no mesmo ramo, são pressionadas a rever o que oferecem para não perder o mercado.

Quando alguém vende um produto mais barato, pressiona outros a baixarem seu preço e manterem a competitividade. Isto faz com que o capitalismo seja pujante e que tenha flexibilidade de classes, inexistente na Idade Média. 

Ao longo desta história, ao trocar dinheiro conquistado usando tempo e energia, o homem determinou quais eram os soberanos de cada área.

Ainda assim, Mises não acertou em tudo.

O erro de Mises

Em seu livro Ação Humana, Mises defendeu que se houver mais pessoas do que a riqueza disponível, a sociedade empobrecerá e que, portanto, é necessário ter controle de natalidade. 

Alguns estudiosos discordaram do maior nome da Escola Austríaca de economia. Para eles, limitar o número de filhos em uma família é ferir a liberdade e precificar tudo. Se uma família não pode ter dois filhos porque a riqueza deve ser dividida, a lógica humana foi ferida. A ordem natural é reproduzir-se e, enquanto espécie, ir adiante. 

Outros viram ainda um problema moral em limitar a quantidade de filhos para não perder qualidade de vida. 

O erro mais notório, no entanto, envolve a importância do crescimento populacional.

Há cinco mil anos, havia aproximadamente quatro milhões de pessoas. Em três mil anos, o contingente populacional era de cem milhões. Entre 1700 e 1800, houve outro pico no crescimento populacional e hoje existem sete bilhões de pessoas no mundo. 

Estes dados são a razão para o descrédito deste pensamento de Mises, da tese malthusiana e das teorias globalistas de bilionários como Bill Gates, que defendem um certo controle de teto da humanidade. 

Apenas a observação histórica é suficiente para perceber que o aumento populacional não diminui a geração de riqueza, mas a aumenta.

Comente e compartilhe. Quem você acha que vai gostar de ler sobre o capitalismo?

A Brasil Paralelo é uma produtora independente. Conheça nossas produções gratuitas. Todas foram feitas para resgatar os bons valores, ideias e sentimentos no coração de todos os brasileiros.

25 comentários

  1. Ivan Jr

    Vocês são o que não só o Brasil precisa, mas o que o mundo precisa! Vocês dão esclarecimento sobre diversos assuntos, a riqueza que vocês ganham com seu empreendimento é pífio perto da riqueza que vocês nos dão! Obrigado por ter feito o Brasil Paralelo, parabéns e que Deus abençoe vocês!

  2. Zandra Maria Pereira de Araújo

    Mt obrigada por td o ensinamento q vcs m proporcionam. Apesar dos meus 74anos aprendo agora o q deixei d aprender anos atraz. Imensamente grata.

  3. Erick

    Parabéns pelo artigo, não consegui ler na íntegra por falta de tempo mas fiz questão de ler os pontos principais. Muito bom continuem nessa jornada de esclarecimento gratuito para a população que sempre haverá pessoas dispostas a ajudar voluntariamente a manter a infraestrutura necessária de vcs.

  4. Gustavo Lourenço Machado

    Excelente post. Parabéns tenho duas filhas, uma de 15 anos e outra de 11 anos. Elas adoraram os seus comentários e produções. Show!!!!!

  5. Cláudia Barcelos

    Até que enfim eu consegui entender de forma clara as diferenças entre o capitalismo e o socialismo. Agora me sinto mais segura para enfrentar uma conversa envolvendo esse assunto. Obrigada Brasil Paralelo.

  6. João Alves

    Sou um admirador do Libertarianismo, e vejo nele e no conservadorismo um encaixe quase perfeito. Na verdade, me defino como um antiestatista, por enxergar no Estado moderno, gigantesco e invasor das vidas privadas, um mal maior que precisa ser estirpado para que possamos retornar à moral e aos bons costumes; à família como centro de toda vida social. Vocês poderiam fazer um artigo ou documentário sobre o tema? Gosto muito do Hans Herman Hoppe e do seu livro, “Democracia, o deus que falhou”.

  7. JESSÉ OLIVEIRA

    É uma experiência muito gratificante ver um conteúdo tão bem elaborado. Meus parabéns Vocês se superam a cada dia. UM SHOW DE CONHECIMENTO!

  8. Nadja Heiderich

    Muito bom ver o crescimento de vocês a cada dia. A diversificação de seus produtos e meios de comunicação, para atingir um público cada vez maior. Já sou assinante e me orgulho muito em contribuir um pouco para que vocês disseminem do conhecimento desta maneira tão rica e acessível. Deus os abençoe!

  9. DZonaro

    Capitalismo é o resultado, hoje, do nível de consciência atual do ser humano. O socialismo é a imposição de uma sociedade igualitária via coerção. O capitalismo funciona melhor porque é o mais próximo da nossa natureza. Mas está longe de ser ideal. Smith falou muito bem o que é o capitalismo em sua frase célebre de que o pao e leite estão na nossa mesa não pela benevolência de quem os fornece, mas sim, pelo auto-interesse destes. Agora, até onde vamos achar normal um ser humano negar a outro o que ele precisa se não for fornecido um pagamento por isso? Até quando vamos achar correto existirem casas desocupadas e pessoas sem casa? A superação do capitalismo pode ser feita não pela imposição de um governo, mas sim, pela transformação da consciência de cada indivíduo. Se cada um amar ao próximo como a si mesmo, se procurarmos entregar o nosso melhor para beneficiar o a comunidade em que vivemos, se agirmos pensando no bem comum e no que podemos oferecer ao invés do que podemos receber, aí o capitalismo será suplantado por algo melhor, diferente do socialismo. Só haverá humanidade em uma sociedade com a extinção do dinheiro e da gratuidade plena, total , absoluta e irrestrita. Tudo de graça. Se ninguém cobra de ninguém, todos oferecem aquilo que são competentes em fazer para os demais, todos também receberão dos demais o melhor que eles podem oferecer. Gratuitdade irrestrita não pela intervenção do Estado, por imposição de um governo, mas por uma transformação no nível psíquico de cada indivíduo, passando, este, a amar o próximo como a si mesmo. Enquanto existir o dinheiro, enquanto acharmos normal e adequado um semelhante nosso ser privado de necessidades básicas por não poder pagar por isso, estaremos muito longe de algo que possa ser chamado de humanidade.

    1. Redação Brasil Paralelo

      Obrigado por partilhar sua reflexão! É bom ver essa interação por aqui, sinal de que os temas estão ajudando as pessoas a refletirem mais.

  10. MAEL MAZINO

    todas as formas de sistemas sociais tem alguma fraqueza e meios de se corromper e destruir uns aos outros, porém é visível que o capitalismo liberal permite ao indivíduo, ter liberdade de escolhe qual o caminho que quer seguir em sua vida.
    tanto que por este meio vocês são capazes de expandir mais e mais sua base de assinantes, adquirindo reconhecimento e admiração de pessoas que nem imaginavam que uma empresa com capital privado, está conquistando tudo aquilo que faz por merecer, sem gastar nem um centavo de incentivos públicos ou governamentais.
    BRASIL PARALELO é a empresa cujo escopo é diferente de tudo e de todos em nosso BRASIL.
    seguem seus valores e regras como uma placa de petri, perfeitamente factual e crível de se merecer todo nosso apoio.
    obrigado por tudo BRASIL PARALELO, vocês me deram esperança em algo maior do que eu e todos nós, na nossa NAÇÃO, como algo pra se esperar grandes coisas em um FUTURO GLORIOSO, iniciado por iniciativas como a de vocês que mudam tudo e todos.
    desculpe meu longo comentário, mas o que lhes tenho de gratidão, nem 1000 palavras poderiam bastar.
    obrigado pela sua atenção! prezado membro e funcionário da BRASIL PARALELO.

  11. João Carlos SARAIVA-PINHEIRO

    Boa tarde, senhores.
    Sou professor e gostaria de usar alguns trechos do artigo e apreciaria conhecer a sua indicação de como citá-lo, por favor. Geralmente uso a ABNT.

    O artigo será usado como respostas à disciplina “Empreendedorismo e Gestão de Carreiras”, num tópico que falos sobre trabalho e as razões de exercê-lo.

    Atenciosamente,
    Prof. SARAIVA-PINHEIRO

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