Conservadorismo: origem, influências e ideias

O que é conservadorismo? Entenda as ideias dessa corrente de pensamento

O que é conservadorismo

“O conservador pensa na política como um meio de preservar a ordem, a justiça e a liberdade. O ideólogo, pelo contrário, pensa na política como um instrumento revolucionário para transformar a sociedade e até mesmo transformar a natureza humana. Na sua marcha em direção à Utopia, o ideólogo é impiedoso.”. As palavras de Russell Kirk, teórico político americano, podem ser usadas para explicar o que é conservadorismo.

Alguns consideram que ser chamado de conservador é ofensa, outros veem nisso um sinal de continuidade na tradição e valores morais. 

  • Leia esse artigo e tenha uma base para começar a estudar sobre o que é conservadorismo.

Índice de Conteúdo 

  1. O que é conservadorismo?
  2. Origens do conservadorismo;
  3. Conservadorismo político;
  4. O conservadorismo na economia; 
  5. Existe um conservadorismo liberal?
  6. Alguns autores conservadores;
  7. O que é conservadorismo no Brasil?
  8. Críticas ao conservadorismo.

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O que é conservadorismo?

O conservadorismo pode ser entendido como uma filosofia de vida que orienta a ação política, econômica e social de determinados indivíduos ou grupos. Está intimamente ligado aos valores tradicionais. Opõe-se às mudanças radicais ou violentas e defende a permanência de instituições que geraram bons frutos ao longo do tempo. 

Exemplos de instituições tradicionais que os conservadores em geral defendem: a família, a Igreja e a comunidade local, além de seus usos e costumes.

A estabilidade, continuidade e liberdade dessas instituições é um ponto essencial para os conservadores.

O pensamento conservador se define como realista por se basear na observação, na indução e na experiência. Isso contrapõe o idealismo e utopismo de progressistas ou reacionários.

Os valores conservadores estão ligados às tradições locais. Portanto, não são um conjunto fechado de ideias. Eles variam de acordo com o lugar e com o tempo.

Por exemplo: o conservadorismo francês pode ser diferente do brasileiro, ou do indiano, uma vez que cada sociedade possui suas tradições e costumes próprios.

É importante distinguir o conservadorismo da postura conservadora. 

Conservadorismo é um modo de encarar a realidade social, como está sendo exposto neste artigo. Já a postura conservadora é exclusivamente uma resistência às mudanças, podendo ser uma característica atribuída a qualquer lado político.

De acordo com Quintin Hogg, presidente do Partido Conservador britânico em 1959: 

o conservadorismo não é tanto uma filosofia, mas uma atitude, uma força constante, que desempenha função atemporal no desenvolvimento de uma sociedade livre e correspondente a uma exigência profunda e permanente da própria natureza humana”.

Alguns valores e algumas instituições são universais dentro do pensamento conservador.

Liberdade política e econômica

o conservadorismo ocidental resgata a filosofia grega o direito romano e o cristianismo

É comum que os conservadores ocidentais valorizem as instituições mais antigas de sua própria cultura e que conseguiram produzir sociedades sólidas.

Nesse caso, valorizam uma ordem social e moral baseadas no transcendente, representado pela filosofia grega, pelo direito romano e pelo cristianismo.

Em cada exemplo desses, nota-se que a liberdade do indivíduo é essencial para o funcionamento das instituições econômicas. 

Ainda nesses exemplos, os corpos intermédios da sociedade são a família, a Igreja e as comunidades locais, que se juntam de modo autônomo. 

Em um determinado modelo de construção política e econômica, a liberdade desses grupos é essencial, além de dever pautar-se nos valores corretos.

O ataque aos corpos intermédios e à liberdade irrestrita pode ser visto como o caminho para o autoritarismo, estatismo e totalitarismo.

Individualidade e nacionalismo, igualdade e desigualdade

Observando a constituição física e psíquica e as aptidões de cada pessoa, nota-se uma diferença natural entre cada um. Também seus interesses, escolhas e decisões contribuem para essa diferença.

Estudando o que é conservadorismo, não raro encontra-se a explicação de que o individualismo permite as diferentes expressões de cada ser humano. Nesse caso, somente é necessário ter igualdade jurídica para oferecer a mesma chance a todos. 

O coletivo é visto como a expressão natural dos indivíduos, não como uma tentativa de controlar convicções políticas, sociais, econômicas e morais. Esse controle feriria a liberdade individual.

Os conservadores típicos valorizam a cultura nacional, desde que respeite o conjunto de valores conhecidos como lei natural.

Outro ponto importante para entender o que é conservadorismo é a ideia de que não existe bom selvagem. Considerando o homem com uma natureza inclinada ao mal, não fará sentido projetar sociedades ideais e utópicas.

Se no estudo da tradição é patente que o homem comete um conjunto de crimes típicos, o pensamento sobre o que é justiça e ordem social devem se basear nisso, e não na possibilidade de o homem mudar a própria natureza. 

Ordem e moral

O conservadorismo político é visto como sinônimo de política da prudência. Nem as mudanças e nem o progresso são descartados. Embora entendidos como elementos necessários, espera-se que ocorram de forma lenta, pensada e trabalhada.

Outro aspecto dessa visão é o racionalismo político. As mudanças e reformas vêm após uma comparação com os valores fundamentais, com um estudo do que a tradição oferece de experiência.

O desejo de manutenção do essencial e do que funciona permanece. A política é a arte do possível, não um laboratório de testes para alcançar as projeções do pensamento humano.

Racionalidade e tradição

Os conservadores buscam guardar a lei natural e tudo o que é duradouro. Esta lei significa que há princípios e valores universais inscritos no próprio homem. 

Quando a lei natural é entendida como universal para todos os homens, isso significa que estes valores devem se tornar guias naturais das posições morais e éticas para uma boa vivência humana.

No Ocidente, por exemplo, a lei natural está firmada na tradição da filosofia grega, do direito romano e da religião cristã. A experiência ao longo da história humana também contribuiu para essa concepção.

Não há fórmula nem forma certa para ser conservador. Coisas essenciais devem ser preservadas, mas se, vez por outra, alguma mudança não trouxer riscos para a sociedade como um todo, ela pode ser analisada e discutida.

Roger Scruton, pensador conservador contemporâneo, chama isso de “ordem social contínua”, que é uma sabedoria natural da civilização humana, construída através de erros e acertos.

Essas sucessões vão aprimorando as experiências humanas, suas éticas, artes, constituições e leis; fazendo com que o tempo seja um mestre eficaz e verdadeiro consultor dos homens prudentes.

Para Gilbert Keith Chesterton, jornalista inglês, o nome dessa experiência é “democracia dos mortos”. Essa continuidade é a construção de uma sociedade inteligente, onde colaboram aqueles que viveram, que vivem e que viverão.

A tradição não é algo estático e inalterável, mas formou-se ao longo dos anos e permaneceu através das mudanças.

As origens do conservadorismo

o conservadorismo aceita a tradição sem revoluções

Alguns conservadores associam seus pensamentos aos escritos de Cícero e Aristóteles. Todavia, o conservadorismo, enquanto doutrina política, surgiu nos séculos XVII e XVIII, período de rápidas transformações na Europa, das grandes revoluções burguesas, do surgimento de novas doutrinas, ideologias e políticas.

O termo vem da palavra francesa “conservateur”, que apareceu durante a Revolução Francesa. Esta expressão designava: os opositores dos jacobinos, de Napoleão e os que defendiam o Antigo Regime.

  • Você sabia que o surgimento da direita e esquerda política tem a ver com a Revolução Francesa?

O primeiro uso estabelecido do termo originou-se com François-René de Chateaubriand em 1818, durante o período de restauração de Bourbon que procurou reverter as políticas da Revolução Francesa.

O primeiro grande teórico do conservadorismo é o inglês Edmund Burke.

Em 1790, ele previu que a Revolução decairia em terror e ditadura. 

Por ter jogado fora instituições testadas pela experiência humana em troca de promessas e esperanças humanas sem garantia de algo melhor, David Hume, criador da teoria do ceticismo político, é também considerado um dos mais importantes teóricos do conservadorismo.

Desde então, o termo passou a descrever uma ampla gama de experiências políticas. É uma postura pautada em valores e crenças, e não uma ideologia.

O termo é historicamente associado à política da direita, mas compreende diversas experiências e pensamentos.

O próprio Burke criticou veementemente a Revolução Francesa, embora apoiasse a Revolução Americana.

Conservadorismo político

exemplo de conservadorismo

Na política, o conservador procura conservar as instituições políticas e sociais que se desenvolveram ao longo do tempo. Eles entendem que elas são frutos dos usos, costumes e tradições daquele povo.

Uma sociedade saudável está aberta a mudanças, contanto que sejam cautelosas e graduais. 

A política do conservador é a política da prudência, preferindo manter e melhorar as instituições estáveis e testadas; e recusando tentar rupturas para implantar modelos de sociedade e instituições que foram imaginadas, frutos de ideias não provadas pelo tempo.

E como os valores conservadores se relacionam com a economia? 

O conservadorismo na economia 

A economia é o principal ponto onde não há consenso entre as distintas correntes do pensamento conservador. Porém, como na política, há alguns pontos que são comuns.

A economia deve também ser pautada nos valores imutáveis da lei natural. Portanto, há uma moralidade a ser respeitada também no campo econômico.

Os principais aspectos que defendem são:

  • propriedade privada;
  • protecionismo alfandegário;
  • desenvolvimentismo;
  • nacionalismo.

Há grupos conservadores que defendem o livre mercado junto com os liberais. Mas nem todos encaram bem a abertura dos mercados e a globalização econômica.

Deste assunto fica a pergunta, é possível ser conservador e liberal ao mesmo tempo?

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Existe um conservadorismo liberal?

Como anteriormente se disse, algumas correntes veem com bons olhos o mercado à moda liberal. Já outras não compactuam com a abertura dos mercados e com a globalização econômica. 

Alguns conservadores rejeitam a ideia de Estado mínimo. O ponto central do debate entre liberalismo e conservadorismo é o valor da liberdade.

Para o conservador, a liberdade é algo essencial e que se constrói com o tempo. Para o liberal, é um valor absoluto e o ponto de partida de qualquer regime.

Assim, é possível compactuar com ideais conservadores e defender o liberalismo de mercado, mas é impossível juntar plenamente as duas correntes de pensamento.

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Alguns autores conservadores

Dentre as referências dos autores conservadores, destacam-se:

  • Edmund Burke (inglês, 1729-1797): grande crítico da Revolução Francesa, lutou pela república e pela preservação do cristianismo;
  • Joseph de Maistre (francês, 1753-1821): defensor da monarquia e opositor do movimento revolucionário francês;
  • Louis de Bonald (francês, 1754-1840): defendeu o Antigo Regime, a Igreja Católica, a restauração da tradição e a monarquia; 
  • Alexis de Tocqueville (francês 1805-1959): era defensor da descentralização do poder, da liberdade ordenada e dos costumes locais;
  • Russell Kirk (americano, 1918-1994): considerava a política como um meio de preservar a ordem natural, não como um aparelho ideológico para transformar a natureza humana. Opunha-se à violência das revoluções;
  • Roger Scruton (britânico, 1944-2020): é este uma das referências contemporâneas, foi um grande escritor propagador das ideias conservadoras;
  • Jordan Peterson (canadense, 1962-…): psicólogo clínico, professor e ensaísta.

O que é conservadorismo no Brasil?

filosofia conservadora

O conservadorismo no Brasil é disperso. Não há representação partidária do conservadorismo, cujas pautas se identificam em alguns partidos de direita. Há uma grande quantidade de grupos da sociedade civil, de diferentes vertentes, que assumem a postura conservadora.

De acordo com o professor Olavo de Carvalho, não há partido, revista, jornal diário, estação de rádio ou universidade conservadora no Brasil. Isso significa que o povo, majoritariamente conservador e cristão, não tem representação. 

Ele explica que a esquerda entende que isso é a democracia. Essa é a razão para que Olavo afirme que o problema não é a esquerdização, mas a exclusão das alternativas. Isso o motivou a escrever O Imbecil Coletivo, 1996.

Na ausência de uma única identidade conservadora brasileira, alguns liberais econômicos defendem o conservadorismo, também monarquistas, grupos religiosos, etc.

As pautas estão distribuídas entre diversas influências do conservadorismo inglês e francês. Assim, o uso deste termo no Brasil geralmente se refere a defensores das tradições culturais do direito romano, da filosofia grega, do cristianismo e dos valores ibéricos.

Alguns importantes autores conservadores brasileiros são:

  • João Camillo de Oliveira Torres (1915-1973): escritor, historiador e jornalista; 
  • Mário Ferreira dos Santos (1907-1968): filósofo; 
  • Olavo de Carvalho (1947-…): filósofo, professor, ensaísta, escritor e jornalista; 
  • Otto Maria Carpeaux (1900-1978): jornalista, crítico literário, crítico artístico, ensaísta;
  • Gustavo Corção (1896-1978): escritor, engenheiro, ensaísta e jornalista;
  • Miguel Reale (1910-2006): filósofo, jurista, professor e poeta;
  • Plínio Corrêa de Oliveira (1908-1995): escritor, conferencista e professor;
  • Gilberto Freyre (1900-1987): ensaísta, escritor, poeta e jornalista;
  • José Bonifácio (1763-1838): poeta, estadista e Patriarca da Independência;
  • Oliveira Lima (1867-1928): escritor, crítico literário, historiador, diplomata e jornalista.
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Críticas ao conservadorismo

As principais críticas às propostas conservadoras são as seguintes:

  • Pautar os valores em uma lei universal barraria a possibilidade do multiculturalismo nas sociedades;
  • A igualdade jurídica é incapaz de atender todas as demandas sociais, especificamente as das minorias, para garantir plena igualdade;
  • Sua política é um fator limitante ao assistencialismo do Estado.

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7 comentários

  1. Ricardo Ferreira

    Excelente texto! No Brasil, conservadorismo está muito ligado a retrogrado, antiquado, etc. Isso graças a manipulação da esquerda e a ignorância de muitos. É uma grande pena não termos um partido conservador de fato e instituições desta vertente.

  2. [email protected]

    Amei o texto 👏🏼👍🏼
    Pois sou conservadora cristã de direita 🇧🇷💚 diferente da esquerda alienada doutrinada eu acho uma honra ser mulher tradicional defensora do patriarcado, religião e o casamento 💒
    Brasil Paralelo é site maravilhoso 🧡💙💜💚♥️

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