Teste de Szondi - Um dos Diagnósticos mais Íntimos da Alma

Conheça o Teste de Szondi — o teste que revela o que há de mais profundo na alma

O teste de Szondi

O teste de Szondi se propõe a revelar a angústia mais profunda da alma de quem se submete a ele. O diagnóstico permite ao indivíduo a descoberta de seu principal problema psicológico, libertando-o para buscar uma solução eficaz.  

Considerado por Olavo de Carvalho como um dos maiores expoentes da psicanálise, Szondi, o psicólogo que foi perseguido pelos nazistas, desenvolveu uma teoria diferente dos demais psicanalistas de seu século. Antes da descoberta do DNA, Szondi já havia elaborado uma teoria sobre a hereditariedade das características dos familiares. 

O foco de sua psicologia é ensinar como desenvolver uma personalidade autêntica, livre de influências manipuladoras externas existentes desde a infância.  

A importância do seu teste está no fato de buscar revelar estas influências negativas, já que muitas vezes a própria pessoa influenciada não as conhece.

Índice de Conteúdo 

  1. Introdução ao teste;
  2. O teste de Szondi;
  3. Quem foi Szondi e como ele elaborou sua psicologia;
  4. Teoria do inconsciente familiar de Szondi;
  5. A solução do problema hereditário.

Introdução ao teste

O teste de Szondi possui a psicologia de seu criador como base. Szondi descobriu o pré-determinismo familiar, ou seja, características da família que guiam a pessoa em uma determinada direção, mas que podem ser alteradas. 

Sua psicologia será abordada posteriormente.

Grande parte das pessoas que tem algum problema psicológico, seja grave ou ameno, não entende por que sofre com certos problemas.

O que gerou a doença na alma pode estar apagado na memória devido à distância temporal, à atividade do subconsciente ou à força do trauma.

No teste de Szondi, a causa do problema é revelada. Assim, possibilita-se um diagnóstico mais adequado, permitindo que se busque o melhor tratamento.

Szondi Lipót elaborou a teoria do inconsciente familiar

O teste

No teste original, o paciente devia analisar 6 imagens de 8 grupos de fotos de pessoas com problemas psiquiátricos. 

Ele tinha, então, que escolher as duas fotos que mais o agradassem, e as duas que mais o desagradassem 

Para conseguir interpretar adequadamente os resultados, Szondi criou um método muito complexo. 

O psicólogo considerava não somente o número e escolhas por grupo, mas a relação entre eles, a presença de perfis sindromáticos, índices sociais e sexuais, análise do perfil de frente e do perfil complementar etc.

Todavia, a dificuldade de diagnóstico fez com que não houvessem muitos resultados satisfatórios. A pequena quantidade de casos empiricamente comprovados não bastou para que o teste fosse disseminado junto com os demais escritos de sucesso de Szondi.

Contudo, recentemente, uma simplificação do teste foi desenvolvida. O novo método alcançou melhores resultados que o primeiro. 

No novo teste, o paciente deve analisar 8 fotos que constavam no original e escolher a pessoa que mais o desagradar, aquela que causa mais repulsa. A imagem escolhida revelará a principal patologia psicológica da pessoa. 

Abaixo, está o novo teste com seus diagnósticos. 

O teste de Szondi

os 8 rostos do teste de Szondi

Resultados

Número 1 — O sadista

De acordo com o Teste de Szondi, você provavelmente foi dominado por muitas figuras autoritárias, como pais e professores. Então, reprime o desejo de dominar os outros, já que foi dominado nos seus anos formativos. Você é passivo e amigável, e adora agradar as pessoas. 

Dito isso, reage defensivamente de forma passivo-agressiva quando sente que alguém tenta te dominar. Essa é sua maneira de castigá-lo indiretamente. 

No fundo, você ama ver o sofrimento físico ou emocional de outras pessoas, apesar de, conscientemente, fazer o seu melhor para ignorar tais pensamentos quando eles aparecem.

Repressão: o desejo de dominar os outros.

Negação: desenvolvimento de uma personalidade pacífica e inofensiva. Sempre ajudar os outros.

Sublimação: criação de barreiras quando você não quer fazer algo (por exemplo, trabalhar até tarde). Na defensiva, age passivo-agressivamente, ou seja, mantém parte do comportamento habitual passivo, mas passa a ficar agressivo para não realizar a tarefa indesejada. 

Número 2 — O epiléptico

De acordo com o Teste de Szondi, você reage a tudo de forma intensa, bem ou mal. Uma vez que desde criança aprendeu que fazer certas coisas não é certo, recusa-se a deixar emoções negativas como raiva, impulsividade ou irritabilidade se manifestarem. 

Sendo assim, você provavelmente usa uma máscara emocional muito pesada e é bom em esconder os sentimentos negativos dos outros sempre que eles surgem. A isso você compensa agindo de forma mansa e agradável. E as pessoas provavelmente te veem como pacífico e confiável. 

Apesar disso, sob pressão, você pode explodir por conta desses sentimentos negativos e a maioria das pessoas fica surpresa, uma vez que você nunca pareceu ser negativo.

Repressão: sentimentos de raiva, irritabilidade e agressão.

Negação: tornar-se uma pessoa mansa e amigável, e passar a impressão de responsabilidade.

Sublimação: explosões raras quando estressado ou provocado.

Número 3 — O catatônico

De acordo com o Teste de Szondi, você provavelmente é alguém inteligente com uma mente superativa. Isso não é ruim, certo? Bom, há uma compensação. Na tentativa de se manter na realidade e lutar contra seu cérebro superativo, você provavelmente se tornou obediente, inibido e fortemente orientado por regras. 

Você não tem consciência de suas necessidades físicas e emocionais, bem como a dos outros, e frequentemente se sente desconectado e perdido.

Repressão: hiperatividade mental, também chamado de imaginação superativa.

Negação: adoção de comportamentos “estereotipados”. Você luta para não ter uma personalidade que seja forte e marcante.  

Sublimação: agir frequentemente na defensiva e gostar de seguir um conjunto de regras determinadas.

Número 4 — O esquizofrênico

De acordo com o Teste de Szondi, se você escolheu esta mulher, está provavelmente reprimindo a apatia pelos outros. Provavelmente, tem dificuldade em se conectar com os outros. Relacionar-se é um desafio para você, talvez até consigo mesmo.

Seus relacionamentos provavelmente são superficiais. Para compensá-lo, você é sociável. Adora passar tempo com os amigos e a família. De certa forma, este é o seu jeito de mascarar a solidão e o isolamento.

Repressão: sentimentos de apatia para com os outros.

Negação: ser uma pessoa muito sociável, com um círculo de amizades grande.

Sublimação: não conversar sobre sentimentos de isolamento, ou sua falta de verdadeira afeição pelos outros.

Número 5 — O histérico

De acordo com o Teste de Szondi, você provavelmente está reprimindo tendências de querer chamar a atenção. Você ouviu dos adultos desde pequeno que não deveria se exibir. Sendo assim, você provavelmente é uma pessoa modesta e sincera. 

Mas no fundo, você ama ser o centro das atenções e encantar os outros. Embora você raramente seja o centro das atenções, quando é, fica extasiado. Possivelmente, você é alguém que presta atenção em detalhes. 

Como evidência de seus esforços, você cuida da aparência. Isso pode ser seu eu inconsciente que se exibe, enquanto seu eu consciente continua a agir com modéstia.

Repressão: desejo por atenção e admiração.

Negação: agir modestamente, manter-se longe dos holofotes.

Sublimação: escolher trabalhos e hobbies raros ou extravagantes. Normalmente, tenta se manter elegante e bem vestido.

Número 6 — O depressivo

De acordo com o Teste de Szondi, você é superficialmente feliz e animado, como se não tivesse uma preocupação no mundo. Bom, isso é o que você mostra aos outros, pelo menos. No fundo, você está provavelmente lidando com sentimentos de inutilidade, desgosto de si mesmo e culpa.

Você provavelmente se distrai desses sentimentos focando no trabalho ou em outras pessoas. Baixa autoestima também está associada com essa escolha. 

Escolher essa imagem não significa que você esteja depressivo, mas que tem uma predisposição a emoções negativas.

Repressão: sentimentos de desvalorização, inutilidade e inadequação.

Negação: desenvolvimento de um exterior feliz e animado. Focar no trabalho e nos amigos.

Sublimação: assumir o papel de “psicólogo” dos outros, procurando soluções para os problemas alheios.

Número 7 — O maníaco

De acordo com o Teste de Szondi, você provavelmente é muito lógico, maduro e equilibrado. Você não gosta de caos nem exibições excessivas de emoções. Possivelmente, você fica irritado quando as pessoas falam alto, ou possuem crenças radicais.

Por dentro, você está reprimindo tendências hiperativas que o fariam perder o controle. No fundo, pode ser que você seja impulsivo e tenha dificuldade em lidar com extremos de energia. 

Provavelmente, seus pais ou professores tentaram fazer você “se acalmar” quando era criança.

Repressão: impulsividade e níveis altos de energia.

Negação: ser lógico, razoável e equilibrado, e desenvolver ódio pelos excessos.

Sublimação: evitar lugares ligados a tentações, como cassinos.

Número 8 — Transtorno Dissociativo de Identidade

De acordo com o Teste de Szondi, quando criança, você provavelmente sofreu bullying, foi difamado ou traumatizado pelo pai, professor ou parente. Esse trauma faz você se questionar inconscientemente como parceiro sexual. 

Agora, você provavelmente é intenso quanto ao seu sexo, agindo muito masculina (se for homem) ou muito femininamente (se mulher). Você provavelmente critica outros do seu sexo por não agirem igual.   

Repressão: sentimentos de não ser um parceiro desejável.

Negação: colocar ênfase no seu sexo, agindo como um “macho” ou com muita feminilidade.

Sublimação: sacrificar individualidade e interesses reais para estar em conformidade com estereótipos masculinos ou femininos. 

Fonte do teste: BoredPanda.  

  • Entenda o que é um vício e aprenda a escapar dele. 

Quem foi Szondi e como ele elaborou sua psicologia

Quem foi Szondi

Szondi Lipót nasceu em 11 de março de 1893 em Nyitra, na Áustria-Hungria, atual Eslováquia. Sua família sempre foi pobre financeiramente. O pai era sapateiro e a mãe analfabeta.

Mesmo com dificuldades financeiras, o pai era judeu fervoroso e muito erudito. Ele assegurou que seu filho obtivesse bons estudos desde a infância.

Szondi teve dificuldades no início da escola. Um dia, após receber notas baixas no boletim, um estranho aproximou-se dele na rua e o censurou pelas notas baixas. O garoto ficou assustado e nunca se esqueceu deste dia. 

Após o ocorrido, o futuro intelectual decidiu estudar avidamente. 

Desde então, ele sempre esteve entre os primeiros de sua classe, chegando a ler um livro por dia.  

Foi durante uma de suas leituras assíduas, em 1911, que o jovem Szondi fez a sua principal descoberta: o inconsciente familiar.  

Szondi estava lendo uma das obras de Dostoiévski e perguntou-se:

Por que Dostoiévski sempre em seus romances escolhe heróis assassinos e santos?

Szondi chegou à conclusão de que Dostoiévski provavelmente projetava vivências da alma de assassinos e santos porque deveria trazer tais caracteres dentro de si, escondidos em sua herança familiar. 

Anos mais tarde, sua teoria foi comprovada. 

Ao ler a biografia de Dostoiévski, o psicólogo descobriu que em 1606, Maria Dostoiévski deixou que seu marido fosse morto por um empregado, no quintal de sua casa. Em 1634, Shashny Dostoiévski e seu filho participaram do assassinato de um chefe militar.

Por outro lado, outros antepassados do escritor foram literatos, juízes, padres e capitães. Um antepassado, Akindy Dostoiévsky de Kiev, granjeou fama de santidade.

O próprio Szondi experimentou a ação do inconsciente familiar na sua vida. 

  • O que é uma família? Surpreenda-se com a explicação filosófica.

O psicólogo, já adulto e trabalhando como médico, estava profundamente apaixonado por uma professora de línguas, loira e cristã. Sobre isso ele diz:

“Uma noite eu acordei de um sonho com medo, no qual meus pais discutiam sobre o destino trágico de meu meio-irmão mais velho. 

Este também estudou medicina, em Viena, mais de trinta anos antes de mim, enamorou-se também de uma professora de línguas, que era igualmente loira e de origem cristã, além de saxônica.

Ele precisou casar-se com ela, antes das provas finais, e deixar a medicina. Seu casamento não foi feliz. Tudo isto aconteceu antes do meu casamento.

Através deste sonho, de um golpe, eu me conscientizei que eu, inconscientemente, repetia o destino de meu meio-irmão. O meu ego, entretanto, rejeitava energicamente esta exigência de família sobre o meu destino. 

Eu queria ter o meu destino pessoal próprio, e não repetir uma sina familiar já ocorrida, obrigatoriamente.” 

Assim, Szondi desenvolveu sua principal teoria.

Teoria do inconsciente familiar de Szondi

o teste de szondi revela traumas inconscientes

O médico e psicólogo escreveu o seguinte após a experiência: 

No inconsciente devem existir figuras ancestrais e modelos familiares, para as escolhas do descendente. Assim, estavam em mim os pensamentos de um inconsciente familiar, de uma escolha dirigida pela hereditariedade a um destino obrigatório. 

O inconsciente fala, sobre isso, em três línguas: a linguagem dos sintomas, a linguagem simbólica e outra, de escolha. 

De fato, o ego, capaz de assumir atitudes do descendente, tem também o poder de escolher de modo contrário às exigências ancestrais. 

Assim eu cheguei ao conceito: escolha determinada pelo inconsciente familiar e destino de escolha livre. As exigências ancestrais, contidas no inconsciente, podem se manifestar em sonhos ancestrais.”

Sua principal obra sobre o assunto é a “Análise do destino: escolha no amor, amizade, profissão, doença e morte”. 

Szondi chegou à conclusão de que, para além do inconsciente pessoal estudado por Freud, do inconsciente coletivo descoberto por Jung e do inconsciente social-nacional desenvolvido por Adler, existe uma outra forte influência na vida do indivíduo humano: a herança familiar inconsciente.

Segundo ele, o inconsciente familiar tem origem hereditária de transmissão genético- psíquica.

Teoria do inconsciente familiar de Szondi

Além disso, desde a infância os parentes projetam nos jovens seus desejos, fracassos e pontos de vista acerca da vida.

Os erros e excessos no modo de criar os filhos ficam armazenados no subconsciente da criança cujos comportamentos guiam no futuro.

O filme “Árvore da Vida” exemplifica essa questão. O pai, interpretado por Brad Pitt, era extremamente duro e agressivo com o filho. No futuro, o garoto se torna uma pessoa irada e depressiva. Casos como esse são frequentes na vida real. 

Para Szondi, os ancestrais permanecem vivos no inconsciente, funcionando quase como moldes ou padrões de comportamento da pessoa. Cada ascendente tem seu comportamento e caráter individual.

Ele afirmou que o ser humano carrega na alma todas as possibilidades de existência dos antepassados.

Segundo ele, os padrões familiares esforçam-se constantemente para se manifestar de forma enérgica e instintiva. 

O psicólogo denominou essa observação como “pretensão dos ancestrais”: os vários destinos possíveis — e frequentemente contraditórios entre si — modelados pelos antepassados, que forçam o indivíduo a imitá-los, a repeti-los.

Se assim o é, como viver uma vida própria e única?

A solução

O ser humano é livre. Dotado de inteligência e vontade, sempre pode escolher o caminho que irá seguir.

Szondi ensina que, para viver uma vida própria, não segundo a pretensão de outrem, é preciso tomar consciência do inconsciente familiar.

Caso a pessoa não perceba quais são os movimentos interiores próprios e quais os alheios, muito provavelmente ela não viverá a própria vida. Haverá a possibilidade de se frustrar no futuro por não ter feito o que queria, mas sim o que um parente desejava. 

É necessário descobrir quais desejos, quais padrões de comportamento são dos familiares e quais são os próprios.

Ao fazer este trabalho, o indivíduo ficará livre do determinismo familiar. Ele poderá decidir de forma livre qual rumo sua vida irá tomar.

  • Descubra como encontrar o sentido da sua vida com a teoria de um dos maiores psicólogos da modernidade. 

Mesmo que decida por uma vida igual ou semelhante à vida de um familiar, será uma escolha livre e autêntica.  

Comente e compartilhe. Quem você acha que vai gostar de ler sobre o Teste de Szondi?

A Brasil Paralelo é uma empresa independente. Conheça nossas produções gratuitas. Todas foram feitas para resgatar os bons valores, ideias e sentimentos no coração de todos os brasileiros.

9 comentários

  1. Anna Luiza Fantini Ferreira

    Conteúdo muito útil, principalmente por mostrar um caminho para termos uma vida menos frustrante em relação às nossas escolhas.

  2. jorge luis da silva

    incrivel esse texto. vai muito de encontro com o que eu tenho estudado sobre constelação sistemica famliar com Dr Fernando Freitas e leitura corporal com o corpo explica. isso nos mostra o porque seguimos e representamos padrões de vida que não conseguimos evitar. isso nos mostra o porque repetimos dinamicas e modelos de vida que não conseguimos explicar a origem disso, mesmo que tentemos muito. a liberdade é possivel, faça constelação, identifique padroes e seja livre. Jesus nos permite ser livre e nos permite desenvolver a ciencia para nos ajudar. Jesus é o Senhor!!!!

    1. Redação Brasil Paralelo

      Realmente, Tiago! O tema deste artigo é apenas um dos elementos do curso do psiquiatra Bruno Lamoglia para os alunos da Sociedade do Livro. Seu curso se chama Psicologia do Destino. Vale a pena conferir!

  3. Adalberto Cardoso

    Fazer escolhas é sempre muito difícil, pois demanda consequências, e neste sentido que este artigo torna-se de vital importância. parabéns.

  4. Andressa Thomasini

    Artigo maravilhoso! Se todos pudéssemos ter acesso a estes conhecimentos antes das escolhas feitas, talvez nossa sociedade fosse menos doente, frustrada, triste. Eu me enquadro certinho no fazer de acordo com o inconsciente familiar. Mas mudando para ter uma ótima vida, e a Brasil me ajuda muito com isso. AmoBP

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *